“MAVERICK 55” – Por Totonho Laprovítera

Totonho Laprovítera é arquiteto e escritor. Foto: Reprodução

Com o título “MAVERICK 55”, eis mais um conto da lavra de Totonho Laprovitera, arquiteto urbanista, escritor e artista plástico.

Confira:

O automobilismo cearense guarda histórias de paixão, improviso e coragem. Durante décadas, pilotos, mecânicos e entusiastas mantiveram vivo o ronco dos motores pela simples vontade de correr. Entre lembranças de juventude e episódios das pistas, compartilho aqui uma dessas recordações.

Sou de uma geração encantada pelo automobilismo – talvez sob a influência daqueles tempos da era de Juscelino Kubitschek. Ainda menino, eu já desenhava meus próprios carros – cheguei até a criar a imaginária “FALT”, marca com as minhas iniciais – e gostava de acompanhar as corridas: na pioneira pista do Pici, onde Zé Queiroz “voava” em seu Volks “envenenado”, e, vez por outra, nos filmes exibidos pela televisão chuviscada em preto e branco.

Ali corriam os “charutinhos”, carros estreitos e velozes, pilotados por homens que desafiavam a vida ao volante em velocidades que pareciam não ter medida.

Minha aproximação mais direta com o automobilismo de competição começou quando o coronel Ronald Pedrosa recrutou alguns alunos do Colégio Integra para formar uma equipe de cronometragem, liderada por Marcelo Villar. Como eu já alimentava, com o incentivo de Maurílio Vasconcelos, a ideia de projetarmos um carro no colégio, acabei sendo um dos primeiros chamados.

Depois disso, passei a acompanhar as provas mais de perto ao lado do amigo Luiz Pontes. Algum tempo depois, cheguei a integrar a equipe dele.

Há uma curiosidade interessante do automobilismo cearense: Luiz Pontes foi o primeiro piloto profissional do Estado – com carteira assinada – da Equipe Terra de Competições, patrocinada por uma empresa de caderneta de poupança.

Naquele período, isso era incomum no cenário local, onde a maioria dos pilotos corria movida sobretudo pela paixão e pelo esforço pessoal. A contratação formal de um piloto já indicava um passo na organização e no amadurecimento do automobilismo no Ceará.

Ao volante do audaz Maverick amarelo de número 55 – comprado no Sul e entregue em Fortaleza por José Carlos Pace – Luiz virou presença marcante nas pistas e na memória de quem acompanhava as corridas de meados dos anos 1970. Aquele carro acabou simbolizando um momento de transição, quando o esporte começava a ganhar contornos mais profissionais por aqui.

Até hoje, nunca entendi bem as razões de tanto descaso das autoridades com o resiliente automobilismo cearense. Ainda assim, histórias como esta permanecem vivas na lembrança de quem viu e participou daqueles tempos – apenas um pequeno trecho da grandiosa história do automobilismo no Ceará.

*Totonho Laprovítera

Arquiteto urbanista, escritor e artista plástico.

COMPARTILHE:
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Notícias