A previsão do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2026 caiu pela segunda semana consecutiva, passando de 5,30% para 5,16%, conforme o relatório Focus. Apesar da redução, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, continua 0,66 ponto percentual acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, fixado em 4,50%.
Entre as 55 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, consideradas mais sensíveis às mudanças recentes do cenário econômico, a mediana para o IPCA deste ano recuou de 5,23% para 5,10%. O percentual também ficou ligeiramente abaixo da projeção do Banco Central para 2026, de 5,20%, apresentada após a reunião de junho do Comitê de Política Monetária.
Para 2027, a expectativa de inflação subiu de 4,18% para 4,20%, acima dos 4,10% registrados um mês antes. A previsão para 2028 permaneceu em 3,70%, enquanto a estimativa de 2029 continuou em 3,50% pela 45ª semana seguida. O Banco Central calcula que o IPCA deverá encerrar 2028 em 3,1%.
Desde 2025, a meta de inflação passou a ser verificada de forma contínua, considerando o IPCA acumulado em 12 meses. O centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso a inflação permaneça fora do intervalo entre 1,5% e 4,5% durante seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
Selic permanece projetada em 14%
A estimativa do mercado para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 14% pela terceira semana consecutiva. Há um mês, a previsão era de 13,75%, mas as instituições financeiras passaram a revisar o tamanho esperado do ciclo de redução dos juros, em meio ao aumento das incertezas provocado pela guerra no Oriente Médio.
Considerando apenas as 44 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores à divulgação do relatório, a mediana para a Selic no encerramento deste ano caiu de 14% para 13,75%. Para 2027, a expectativa permaneceu em 12%, enquanto as previsões para 2028 e 2029 ficaram em 10,50% e 10%, respectivamente.
O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nas três primeiras reuniões de 2026, levando a Selic a 14,25% ao ano. Na comunicação mais recente, o colegiado informou que a extensão total do ciclo dependerá das próximas informações sobre a inflação e dos riscos para a economia.
Previsão do PIB fica em 1,99%
A projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 permaneceu em 1,99%, próxima da estimativa de 2% apresentada pelo Banco Central. Entre as 29 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa também continuou em 2%.
Para 2027, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto caiu de 1,69% para 1,65%. As estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 2%, sem alteração pela 122ª e pela 69ª semana consecutiva, respectivamente.
Dólar deve terminar 2026 em R$ 5,20
O mercado manteve em R$ 5,20 a previsão para a cotação do dólar no fim de 2026, valor que permanece inalterado há quatro semanas. A expectativa para 2027 continuou em R$ 5,28.
Para 2028, a projeção recuou de R$ 5,35 para R$ 5,34, enquanto a estimativa para 2029 permaneceu em R$ 5,40. Os valores divulgados pelo relatório Focus consideram a média da taxa de câmbio durante o mês de dezembro de cada ano, e não a cotação do último dia útil.
(Com Agências)