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“Milei deve ser declarado persona non grata, impedido de entrar no Brasil” – Por Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista

“Milei passará. No entanto, enquanto essa página sombria não for superada, o Brasil não é obrigado a tolerar os insultos sistemáticos e as agressões de uma figura sórdida e pérfida”, aponta o jornalista Leonardo Attuch

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Por mais estratégicos, históricos e fundamentais que sejam os laços diplomáticos, econômicos e culturais entre o Brasil e a Argentina, há limites que uma nação soberana jamais pode permitir que sejam ultrapassados. As reiteradas agressões e afrontas desferidas pelo repugnante presidente argentino, Javier Milei, contra o Estado brasileiro constituem uma violência inaceitável. A diplomacia da convivência civilizada exige respeito mútuo – um princípio básico brutalmente atropelado pelo mandatário do país vizinho.

É estarrecedor que uma figura pública com tamanha incapacidade administrativa se julgue no direito de orquestrar ataques verbais em pleno território nacional. Milei é o responsável direto por causar a maior catástrofe econômica e social da história recente da Argentina, reduzindo uma nação altiva a um cenário desesperador no qual parcelas da população passaram tragicamente a recorrer ao consumo de carne de burro e de pombos para sobreviver. Mesmo afundado na tragédia que ele próprio produziu, ele insiste em desembarcar no Brasil para insultar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – um estadista de estatura global reconhecido internacionalmente por ter retirado dezenas de milhões de brasileiros da pobreza – e para atacar autoridades do Supremo Tribunal Federal, como o ministro Alexandre de Moraes.

As providências imediatas do Itamaraty

Diante do desrespeito flagrante às instituições da República e à própria soberania nacional, o Ministério das Relações Exteriores não pode se limitar a notas moderadas. O Itamaraty precisa tomar duas providências imediatas: convocar o embaixador argentino em Brasília para prestar explicações formais e rigorosas e, em ato contínuo, chamar o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas. Essa medida rebaixa temporariamente o nível das relações diplomáticas ao âmbito puramente técnico e burocrático, deixando claro que o Brasil não contemporiza com o crime de lesa-dignidade institucional.

O comportamento indigno de Milei não representa um caso isolado de exotismo político, mas sim o que há de mais repugnante, perverso e repulsivo na cena política mundial contemporânea. Trata-se da corporificação do desprezo absoluto pela vida, pela dignidade humana, pelas instituições democráticas e pelos preceitos mínimos da civilidade internacional.

Como destacou com precisão Edinho Silva, presidente do PT, Javier Milei é uma figura que não está à altura do cargo que ocupa. O Brasil lamenta pela Argentina e pelo seu atual presidente, que envergonha não apenas o próprio país, como toda a Humanidade.

Milei passará. O fascismo e o obscurantismo que hoje assombram a Casa Rosada não serão eternos na Argentina. O povo argentino haverá de reencontrar seu destino democrático e soberano. No entanto, enquanto essa página sombria não for superada, o Brasil não é obrigado a tolerar os insultos sistemáticos e as agressões de uma figura sórdida e pérfida. Não por acaso, Milei se projetou como um dos raros e convictos apoios externos do candidato de extrema-direita no Brasil, Flávio Bolsonaro, alinhando-se àqueles que tentam desestabilizar a democracia brasileira.

O Brasil deve agir com a altivez que sua história exige. Declarar Javier Milei persona non grata e impedi-lo de ingressar em solo nacional é um ato de legítima defesa da dignidade da República e do povo brasileiro.

Leonardo Attuch é jornalista e escritor. Criou o Brasil 247 em março de 2011 e a TV 247 em agosto de 2017. Antes disso, trabalhou nas redações do Correio Braziliense, do Estado de Minas e das revistas Veja, Exame, Istoé e Istoé Dinheiro, onde foi redator-chefe. Email: attuch@brasil247.com.br Twitter: @AttuchLeonardo. Publicou os livros “De jornalista a youtuber”, “A CPI que abalou o Brasil”, “Saddam, o amigo do Brasil”, “Eike, o homem que vendia terrenos na lua” e “Quebra de contrato”.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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