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Moses Rodrigues: o bônus e o ônus – Por Nicolau Araújo

Nicolau Araújo é jornalista

“O deputado federal não somente contaminou a sua legenda, como servirá de munição para a oposição, caso esteja de fato na vitrine de uma chapa majoritária”, aponta o jornalista Nicolau Araújo

Confira:

Assim como ocorre com empresas e instituições financeiras, a valorização ou queda na “bolsa de valores de políticos” acontece da noite para o dia. O que antes havia uma disputa pela composição de um político, com a oferta de valores ideológicos ou favorecimento de cargos e influência econômica, pode agora resultar em jogo de empurra de um lado para o outro.

É o caso do deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil-CE), pré-candidato ao Senado, que até o fim do ano passado estava em alta no mercado político, apesar de apresentar alguma desvalorização por ações do próprio parlamentar que resultaram em favorecimento familiar, quando os negócios particulares se misturaram com a coisa pública. Mas, no imaginário do eleitor, não há quem não tire proveito pessoal do poder. Como diria o gênio do humor nacional Chico Anysio, por meio do personagem Tavares: “Sou, mas quem não é?”

O problema do mau político é quando o escândalo é de fácil compreensão do eleitor mais simples, como desvios na merenda escolar, Bolsa Família ou demais serviços que deveriam atender a população mais carente.

No caso do deputado Moses, segundo aponta a Controladoria Geral da União, o parlamentar teria destinado R$ 7,8 milhões a uma ONG que funcionaria em uma salinha com uma única impressora. Por certo, a poderosa impressora serve para imprimir a boa vontade de Moses Rodrigues.

Agora Moses virou um problema para o União Brasil e para partidos aliados. Se por um lado o deputado federal agrega tempo de televisão, por outro Moses Rodrigues não somente contaminou a sua legenda, como servirá de munição para a oposição, caso esteja de fato na vitrine de uma chapa majoritária.

Pior que a denúncia da CGU foi a desculpa do parlamentar de Sobral: “não sabia”. A gente não sabe quando compra uma roupa “pirata” sem atentar que o dinheiro tem como destino final o crime organizado. A gente não sabe quando oferece uma escola a um falso morador de rua. A gente não sabe quando perde 100 reais no Tigrinho achando que poderá ganhar muito dinheiro.

Não saber que destinou R$ 7,8 milhões a uma impressora é achar que todo mundo é trouxa.

Essa é a verdadeira impressão…

Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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