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“Muito além do futebol” – Por Paulo Nóbrega

Paulo Nóbrega é jornalista

“Qual a entrega de Neymar nos últimos anos que o levem à habilitação de agora alcançada nesta segunda, 18 de maio? O que ele ofereceu ao futebol?”, aponta o jornalista Paulo Nóbrega.

Confira:

A convocação do jogador Neymar Júnior para a Copa do Mundo transcende o gramado, a seleção brasileira, o futebol. Ela aponta muito mais que uma relação de jogadores selecionados para a maior competição do esporte. O chamamento do meia ofensivo é um chute certeiro, acachapante e irrefutável contra o bom senso, a honestidade e a correção. Contra a inspiração, contra a inocência e os inocentes. Contra o futuro.

Neymar é um craque da bola, fato incontestável. Assim como todos os que serão convocados, de todos os países, ele pode ser decisivo em uma partida, seja em um lance fortuito, casual, ou em um momento de perícia. Mas a presença de seu nome na lista vai de encontro ao que é ético, ao fair play, o jogo limpo tanto defendido pela FIFA.

Já escuto comentários como ‘estamos falando de futebol, não de um curso de boas maneiras’, ou então, ‘ele está sendo chamado para jogar bola, não para rezar ou celebrar um culto’. Lamento informar, há um limite para o desejo de conquista.

Verdade que a seleção canarinha já teve vários atletas rudes, viris, de poucas palavras e energia em excesso em campo. Mas esse é exatamente o ponto. Foram jogadores que se dedicaram durante toda a carreira numa construção ascendente e, na Copa, se entregaram ao foco central da competição, a taça. Qual a entrega de Neymar nos últimos anos que o levem à habilitação de agora alcançada nesta segunda, 18 de maio? O que ele ofereceu ao futebol? Que marcas deixou dentro das quatro linhas desde a última Copa do Mundo, da qual também participou?

Contusões, simulações, confusões, discussões, treinos a menos e bajulações a mais não são, para mim, credenciais para uma competição tão acirrada. O adulto Neymar Júnior (insistentemente chamado de ‘menino Ney’ por inimigos da lógica ou da sensatez, e também por colegas e veículos de imprensa que torcem e miram unicamente na forte audiência e no lucro), há muito resolveu deixar o futebol para trás.

Será que o veremos esbravejar no banco de reservas por não entrar para jogar? Será que o veremos xingar, fazer gestos obscenos? Será que o veremos fingir? Será que o veremos levar cartões pela imprudência e violência? Será que o veremos causar intrigas dentro do grupo? Apostas altas demais para um ‘sim’ praticamente inevitável.

Ele pode voltar dessa Copa como herói, campeão (penso ser difícil passarmos da segunda fase). Seja como for, já perdemos!

Perdemos para o jogo baixo, para a falta de caráter, para a boiada passando. Perdemos para nós mesmos, numa escolha técnica que reflete a imagem do nosso país, onde vergonha, atitude, seriedade e compromisso estão em desuso.

E vamos de camisa a 800 reais, vamos de bandeirinhas e ruas pintadas! Quanto suplício às novas gerações! Mais uma vez resta a elas o modelo do pior, do fedido. Gerações que continuarão sendo inspiradas por quem não se interessa em ser exemplo. Por quem não troca o churrasco, uma festa e o passeio de Batmóvel pelo legítimo amor ao mundo da bola.

*Paulo Nóbrega

Jornalista e torcedor.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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