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Mulheres estão perdendo o direito de ir e vir, diz escritora e ativista dos direitos humanos

Amelinha Teles é escritora e ativista dos direitos humanos. Foto: Agência Brasil

“Nós estamos perdendo o direito de ir e vir, esse direito fundamental que está lá na Constituição”. A declaração é da jornalista e escritora Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, 81, militante feminista da União de Mulheres de São Paulo, que denuncia a insegurança gerada pela atual violência contra mulheres no país, especialmente no estado de São Paulo, que tem batido recordes de feminicídio.

Em 2025, o estado registrou o maior número de vítimas de feminicídio desde o início da série histórica, em 2018. Foram 270 assassinatos contra mulheres por violência de gênero, o que representa um aumento de 6,7% em relação a 2024, quando foram 253 casos.

“Ficamos com medo de sair. Estamos até fazendo grupos para sair, porque, sozinha, está difícil”, acrescentou.

Amelinha participou, na última sexta-feira (6), da Audiência Pública Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada pela Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica da Capital, do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Ela citou a pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres, realizada em dez capitais brasileiras pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pela Ipsos-Ipec. O resultado mostrou que sete em cada dez mulheres relataram que já sofreram algum tipo de assédio moral ou sexual.

“Lembro que, há 20 anos, ─ a Lei Maria da Penha está fazendo 20 anos ─ a gente falava assim: agora a mulher que denunciar, que procurar os serviços, não vai ser morta, porque vai ter proteção, tem medidas concretas para evitar essa morte”, relatou Amelinha. No entanto, ela lamenta que esse não é o cenário atual no contexto da violência contra a mulher.

Proteção insuficiente

A ativista aponta que mesmo as mulheres que têm medidas protetivas deferidas pela Justiça estão morrendo. Uma em cada cinco vítimas de feminicídio na cidade de São Paulo (21,7%) tinha medida protetiva, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado na semana passada.

De setembro de 2023 a março de 2025, foram registradas 83 vítimas na capital paulista, das quais 18 tinham obtido medida protetiva urgente (MPU).

Considerando o total de 1.127 feminicídios analisados pelo FBSP em 16 unidades da federação, 148 mulheres (13,1%) foram mortas apesar da MPU vigente.

“Está faltando fiscalização, acompanhamento. Tem que ter um serviço qualificado, com pessoal qualificado para poder atender a essa mulher e acompanhar cada caso”, disse Amelinha.

A jornalista denunciou ainda o isolamento do movimento feminista pelo poder público no contexto do combate à violência de gênero. “Está faltando democracia nesse estado e nessa cidade”, disse.

“As mulheres estão com medo de procurar os serviços. Elas falam pra gente, porque os serviços estão sucateados, com pouquíssimos funcionários frente à demanda. Eu sou militante do movimento social, eu trago aqui essas preocupações para fazer coerência com o objetivo dessa audiência, que é ouvir a sociedade civil organizada”, ressaltou.

A Agência Brasil pediu posicionamento ao governo de São Paulo e não teve retorno até o fechamento desta reportagem.

(Agência Brasil)

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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