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“Não é xadrez político… é poker. E Camilo apostou alto” – Por Nicolau Araújo

Nicolau Araújo é jornalista

“Confesso que não tenho ideia das duas cartas na mão de Camilo, mas também teria apostado na vulnerabilidade de Ciro”, aponta o jornalista Nicolau Araújo

Confira:

Quem acredita que o movimento feito por Camilo Santana faz parte do xadrez político, quando o ministro/senador anunciou nesta semana que deverá deixar o Ministério da Educação por causa das eleições de outubro, não é jogador de xadrez ou acredita que, de fato, Camilo poderá disputar um retorno ao Palácio da Abolição.

Na verdade, o movimento de Camilo é do poker. E a aposta foi alta.

O xadrez político requer um posicionamento de peças, em que uma dá sustentação à outra. E, isso, vai desde o peão à poderosa dama (rainha). Não há como negar que, no xadrez político, a peça de Camilo Santana seria a dama. E qualquer enxadrista de nível médio sabe que o adversário poderá ganhar posições no tabuleiro, diante de uma precipitada decisão de iniciar a partida com a dama, principalmente quando o adversário não é nenhum iniciante nesse tipo de jogo político.

Já no poker, no estilo Texas Holdem, o jogador tem que mostrar habilidade não somente com as suas cartas, mas também com as cartas de seu adversário, ao perceber algum tipo de vulnerabilidade na aposta ou ausência de aposta, além da falta de iniciativa do opositor.

É do que no momento se vale Camilo, ao sentir um enfraquecimento na vontade de Ciro Gomes em disputar o Palácio da Abolição.

Na prática, Ciro iniciou a partida com uma mão forte (cartas altas), mas, na virada do Flop (três cartas), eis na mesa cartas medianas, todas do mesmo naipe, sem qualquer chance de sequência ou flush na mão de Ciro.

No pedido de “mesa” (sem aposta) de Ciro, Camilo Santana apostou alto.

Confesso que não tenho ideia das duas cartas na mão de Camilo, mas também teria apostado na vulnerabilidade de Ciro, que demonstra determinação em disputar o governo do Ceará apenas “à boca miúda”, como ainda não consegue trabalhar a questão da prisão de Jair Bolsonaro, junto aos bolsonaristas. Ciro corre o risco de ficar sem tempo de televisão, quando o PL e o União Brasil escorregam por entre seus dedos. Também não tem se saído bem nos últimos debates, quando disputou a Presidência da República. Nas entrevistas, então…

Ciro ainda não respondeu se paga a aposta de Camilo ou foge (de vez), pois sabe que ainda há uma nova rodada de apostas no turn (mais uma carta virada) e depois no river (a última carta).

Cabe a Ciro tentar reverter o poker em xadrez político e fazer acreditar que, de fato, Camilo poderá substituir Elmano (o rei).

Mesmo assim, a pré-candidatura de Ciro ainda estaria em xeque…

Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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