Lançamentos de livros, feiras, rodas de conversas e oficinas. A Bienal Internacional do Livro do Ceará está com temáticas tão variadas que eu preciso de várias edições da coluna para contar tanta coisa boa que a programação vai trazer.
Mesmo quem já é veterana na Bienal, alegra-se por fazer parte deste evento tão importante. Em 2018, a professora da Universidade Federal do Ceará e doutora pela Universidade de São Paulo, Juliana Diniz, participou da programação ao lançar o romance “Memória dos Ossos” e, este ano, estará lançando duas obras durante a Bienal, uma como autora e outra como organizadora. Uma será o lançamento do ensaio literário “Sob o sol de Lisboa”, publicado pela Editora Patuá, que traz um passeio afetivo e amoroso pela capital portuguesa e propõe uma reflexão sobre o prazer de viajar e flanar. Já como organizadora, a escritora lança a antologia “Sugestão de Vida”, de Margarida Saboia de Carvalho, pela Editora UFC. “É um prazer poder devolver às prateleiras a prosa de uma intelectual cearense extremamente interessante e quase desconhecida do público atual. Fiz a organização da antologia, selecionando os contos e as crônicas reunidas no volume. O tema escolhido para a bienal não poderia ser mais oportuno, pois traz visibilidade sobre o fazer artístico e literário de autoria feminina, historicamente desconsiderados. É uma chance de que mais leitores possam conhecer escritoras incríveis e que mais escritoras possam se sentir parte do universo da escrita literária e intelectual”, conta a vice-diretora da Editora UFC, que terá um stand na bienal.



Teremos dez dias para flanar, aprender, refletir, fazer networking, divertir-se e vender livros. Sim, haverá centenas de stands de editoras e um espaço especial para os autores independentes, o Espaço da Palavra, e ainda a Quadra Literária, que vai reunir diversos títulos de autores cearenses contemporâneos. A Bienal ainda traz shows para diversos públicos. Para o público infantil, haverá programação todos os dias.
Para Lílian Martins, a Bienal será uma deliciosa maratona. A jornalista vai participar de três mesas-redondas, na programação do eixo “Vozes Mulheres”. “Fazer parte da 15ª Bienal Internacional do Livro é muito importante para mim, não só porque a Bienal é o maior e mais importante evento literário do Ceará, mas também porque é uma das principais vitrines para o trabalho de artistas e fazedores literários que movimentam a cadeia produtiva do livro, leitura, literatura e bibliotecas. Poder integrar essa programação é muito gratificante pra mim profissionalmente e, sobretudo, como leitora e pesquisadora literária”, alegra-se Lílian Martins.
A mesa “Cartografia literária de um Ceará de afetos” terá a presença das escritoras Kelly Garcia, Rosa Morena e Zélia Sales e propõe dialogar sobre os espaços afetivos do Ceará a partir do trabalho literário das autoras cearenses.
“Entre palavras, sonhos, desenhos, paixões e o tempo” será a palestra de Ana Miranda, inspirada na sua biografia, “Bionírica” que apresenta vários aspectos, curiosidades e facetas da sua vida e obra. “Eu pesquiso a autora desde a minha graduação no curso de Letras da Universidade Federal do Ceará e que depois foi tema da minha dissertação de mestrado em Literatura Comparada, também na UFC. Hoje na literatura cearense ela é a nossa maior e mais importante voz feminina viva do Ceará”, explica Lílian Martins.
A mesa redonda “Biografia do Jornalismo para Literatura” vai trazer as biógrafas Adriana Negreiros e Luiza Helena Amorim. “Falaremos sobre a construção dessas personagens dentro do gênero biográfico, como coletar fontes e organizar esse inventário”, conta Lílian Martins.

Mesmo com a temática feminina e necessária “Das Fogueiras ao Fogo das Palavras: Mulheres, Resistência e Literatura” e com curadoria só de mulheres, homens serão muito bem vindos. Raymundo Netto lançará a obra “Coisas Engraçadas de Não Se Rir”, um livro de crônicas, mas há quem diga se tratar de contos. “Essa confusão meramente didática, acredito, contribui para o efeito desejado – que têm como pano de fundo o mais banal cotidiano de personagens aparentemente simples. Claro, essas pessoas não poderiam ser eu nem você, mas algum de nossos vizinhos, outros parentes distantes, decerto um cunhado, alguém na esquina ou um desafeto de infância”, adianta Raymundo Netto.

Um homem que, após o término de relacionamento, sofre de saudades pela perda da sogra; a difícil tarefa do desembargador na tentativa de fazer seu inútil filho ser alguém na vida; a garota que despreza o pai simplesmente por não aceitar ter herdado dele o seu tremendo nariz e o militar da reserva, síndico exemplar do condomínio, até o dia em que colocou uma prótese peniana são algumas histórias retratadas na obra. “O livro se arrisca, mesmo sem qualquer outra pretensão, a divertir e a conduzir o leitor em um caminho de ironias, referências, alusões, deboche, cinismo e um pouco de paranoia, de forma que comprovemos, com uma boa dose de crítica e de reflexão, a velha máxima de o brasileiro ter a mania de rir de suas próprias desgraças ou de sua mais comovente hipocrisia”, aponta Raymundo Netto, escritor, editor e produtor cultural, autor de livros de ficção, ensaios e infantis.
O lançamento da obra de Raymundo Netto será no dia 5, às 19h, na Quadra Literária.
Eu, Mirelle Costa, vou participar de uma mesa no domingo, dia 06 de abril, com Kelly Garcia e Fábio Lucas. Posso contar com a presença de vocês?