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“Novo Mundo” – Por Marcos C. Holanda

Marcos Holanda, economista e ex-presidente do BNB. Foto: Sara Maia.

Com o título “Novo Mundo”, eis artigo de Marcos C. Holanda, engenheiro, economista com mestrado, PhD e Pós-doutorado e ex-presidente do Banco do Nordeste. “A economia global vai ser dominada por três blocos. O das Américas liderado pelos Estados Unidos, o europeu sem liderança clara e o asiático liderado pela China”, expõe o articulista.

Confira:

Estamos em um novo mundo, não adianta negar, não adianta resistir. Daqui para frente, governantes, empresários, profissionais, estudantes, políticos serão divididos em dois grupos. No primeiro teremos aqueles que vão se adaptar e tomar proveito das oportunidades e vão prosperar. No segundo teremos aqueles vão resistir, insistir no passado e infelizmente ficarem obsoletos e insignificantes.

No novo mundo a inteligência vai virar uma comodity. Será abundante, disponível em qualquer lugar e a qualquer hora, com preço baixo e de acordo com a necessidade de cada um. O conhecimento que acumulei com cinco diplomas de nível superior ao longo de dez anos, hoje pode ser acumulado por um jovem de salitre no interior do Ceará em um ou dois anos. A disciplina, determinação e esforço terão que ser os mesmos que tive, mas a maneira de absorver conhecimento será muito mais intensa, rápida e efetiva. Isso muda tudo.

A universidade tradicional ficou obsoleta e cada vez mais insignificante. O paradigma da educação mudou. Antes era lê e decorar fórmulas e conceitos, hoje é experimentar, perguntar, aprender fazendo. Nas economias avançadas 70% das vagas de emprego hoje ofertadas demandam habilidades práticas e capacidade de fazer e não um diploma. Faz sentido as universidades públicas continuarem contratando professores e funcionários com garantia de emprego por 35 anos e oferecerem milhares de vagas em filosofia, letras, jornalismo, contabilidade, direito, economia, sociologia, história, etc? No futuro as universidades vão voltar ao passado e serem um lugar para uma elite de pesquisadores, produzindo conhecimento de ponta e não serem uma fábrica de diplomas e militantes como são hoje.

A globalização, ideal nos manuais de economia, vai ser engolida pela realidade de um mundo onde o conceito de livre comercio foi distorcido e inviabilizado. O comercio precisa ser free mas também precisa ser fair e safe. Ou seja, precisa ser justo em termos de competição nivelada e seguro em termos de soberania nacional. Como competir com uma China que não respeita direito de propriedade, subsidia sua indústria e controla cadeias de suprimentos numa logica militar?

O sonho de uma economia movida por energia 100% verde vai continuar um sonho. O novo normal é energia abundante e barata. Sem energia não existe IA e sem IA não existe crescimento acelerado e criação de riqueza. O problema do aquecimento global vai ser resolvido com tecnologia e não apenas com energia verde.

A economia global vai ser dominada por três blocos. O das Américas liderado pelos Estados Unidos, o europeu sem liderança clara e o asiático liderado pela China.

Não tenho dúvida que o bloco americano é aquele com maior potencial e vai prevalecer. Tem abundância de energia, alimentos, inovação, instituições e valores fortes, democracia. Boa sorte para aqueles que vão optar pela china que continuará a ser um país autoritário, com as empresas e trabalhadores controlados por um governo obcecado em explorar as riquezas dos outros em seu projeto geopolítico. Finalizando em um tom mais otimista, será um mundo com bens e serviços mais baratos, com menor necessidade de trabalho humano de baixa qualidade, cheio de novos e jovens empreendedores, com qualidade de vida melhor e mais longa. Será também um mundo onde a parcela da população mais rica terá que financiar uma rede de proteção social básica para aqueles que ficarem para trás.

E o Brasil e Ceará onde ficam nesse novo mundo? No Ceará com certeza precisamos de um novo caminho. O atual já ficou obsoleto.

*Marcos C. Holanda.

Economista e ex-presidente do Banco do Nordeste.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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