“Desde que foi disponibilizado pela Netflix, em 7 de março, outro dado impressionante: embora esteja em streaming somente no Brasil, ‘O Agente Secreto’ é o segundo mais visto no catálogo em todo o mundo, tendo registrado 2,8 milhões de visualizações completas na semana de 9 a 15”, aponta o jornalista Salomão de Castro
Confira:
“Quem desce do morro
E não morre no asfalto
Lá vem o Brasil
Descendo a ladeira”
“Lá vem o Brasil descendo a ladeira” (Moraes Moreira)
Para quem achava que as quatro indicações ao Oscar marcariam o encerramento da trajetória de “O Agente Secreto” nas premiações em 2026, ledo engano. Na sexta-feira (20/03), foi anunciado que o filme do cineasta pernambucano Kléber Mendonça Filho concorre em oito categorias nos Prêmios Platino, que reconhece os trabalhos do cinema ibero-americano: a obra é finalista como melhor filme ibero-americano, direção, ator (Wagner Moura), roteiro, montagem, direção de arte, figurino e trilha sonora original.
Com este desempenho, o filme brasileiro é o terceiro mais indicado da edição, cujos líderes são “Belén” (Argentina) e “Los Domingos” (Espanha), que têm 11 indicações. As três obras disputam o prêmio de melhor filme ibero-americano ao lado de “Sirāt” – que também concorreu com o longa brasileiro em diversos festivais recentemente – e “Aún Es de Noche en Caracas”. Os vencedores serão anunciados no dia 9 de maio, em cerimônia realizada no México.
O desempenho nas bilheterias comprova que a trajetória de “O Agente Secreto” segue intensa dentro e fora do nosso País. A obra retornou ao Top 10 de bilheterias nos cinemas brasileiros, organizado pela Comscore. Entre os dias 12 e 15 de março, período que antecedeu a cerimônia do Oscar, a trama estrelada por Wagner Moura ascendeu à décima posição do ranking e foi vista por mais de 15 mil brasileiros, acumulando arrecadação total de R$ 52,27 milhões. Fora do País, a produção levantou mais US$ 12 milhões.
Desde que foi disponibilizado pela Netflix, em 7 de março, outro dado impressionante: embora esteja em streaming somente no Brasil, “O Agente Secreto” é o segundo mais visto no catálogo em todo o mundo, tendo registrado 2,8 milhões de visualizações completas na semana de 9 a 15 de março.
Portanto, “O Agente Secreto” ainda está aqui. O êxito merece ser celebrado e uma das expressões mais evidentes do seu sucesso se deve ao elenco que reuniu tipos variados, incluindo profissionais de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e São Paulo, dentre outros. Não foi à toa que o filme concorreu na recém-criada categoria de melhor direção de elenco no Oscar (Gabriel Domingues).
Desde a estreia do filme, a atriz Geane Albuquerque e o ator Robério Diógenes, ambos cearenses e com papeis de destaque no longa-metragem, ampliaram os horizontes das suas trajetórias profissionais e, certamente, serão vistos em novos projetos. Para o cinema brasileiro, segue o desafio de se manter relevante para crítica e público depois dos êxitos mundiais recentes de “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui” (2024), de Walter Salles. Esta sim, parafraseando o vencedor do Oscar de melhor filme deste ano, é a verdadeira batalha após a outra.
Em tempo: que vexame a comentarista da TNT, durante a cobertura do Oscar, ter dito que “O Agente Secreto” seria um filme “mais recifense”, enquanto qualificou “Ainda Estou Aqui”, que conquistou o Oscar de melhor filme internacional em 2025, como “mais brasileiro”. O preconceito, infelizmente, ainda está aqui. “Vamos sorrir”, diria Eunice Paiva (Fernanda Torres) em “Ainda Estou Aqui”. Ou “Vamos mudar esse clima, vou tocar uma música”, nas palavras de Dona Sebastiana (Tânia Maria) em “O Agente Secreto”. E que a música seja “Lá vem o Brasil descendo a ladeira”, que abre este artigo.
“Resumindo: Um brinde a todos vocês” (Dona Sebastiana).
Salomão de Castro
Jornalista, conselheiro da ABI e diretor da ACI