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“O Arquiteto de Ventos e o Solo Esquecido” – Por Maurício Filizola

Mauricio Filizola preside a CDL Fortaleza. Foto: Divulgação

Com o título “O Arquiteto de Ventos e o Solo Esquecido”, eis artigo de Maurício Filizola, presidente da CDL Fortaleza, diretor do Sincofarma-CE e empresário. “A virada de consciência exige que abandonemos o papel de vítimas de um sistema e assumamos o posto de arquitetos do nosso destino. A verdadeira justiça social não nasce da mão que estende a esmola com o dinheiro alheio, mas da mão que oferece a oportunidade de criação”, expõe o articulista.

Confira:

A vida, em sua essência mais crua, assemelha-se ao ofício de um jardineiro que decide plantar em terra árida. Existe uma mística contemporânea, quase sedutora, que prega que as flores brotam apenas porque as pessoas desejam o perfume. É a chamada “demanda”. Mas o desejo, por mais coletivo que seja, nunca segurou uma enxada. O perfume não aduba o solo, nem a vontade de colher paga o preço das sementes que apodrecem antes de germinar.

Caminhando pelas ruas de Fortaleza, observo as portas de aço que se levantam ao amanhecer. Há ali um arco emocional que poucos se detêm a ler. O senso comum, refém de narrativas binárias, gosta de dividir o mundo entre o lobo e o cordeiro. De um lado, o capital como um ente abstrato e voraz; do outro, o trabalho como uma fragilidade perpétua. É uma visão intelectualmente confortável, mas perigosamente míope. Esquecem-se de que, antes do primeiro salário ser depositado, alguém — um indivíduo de carne, osso e insônia — teve que apostar o que não tinha no que ainda não existia.

O risco é uma sombra que tem dono. Enquanto a demanda é uma nuvem passageira que decide onde chover, o empreendedor é aquele que constrói o telhado e cava o poço. Se a chuva não vem, a nuvem apenas se dissipa; o construtor, porém, permanece com as mãos calejadas e a dívida cravada no peito. É preciso maturidade para entender que a prosperidade não é um decreto real, mas o resultado de uma aritmética sagrada entre o suor e a ousadia.
No entanto, mergulhamos em um modelo de gestão que prefere o afago do Estado-Pai à liberdade do caminhar próprio.

Criou-se uma cultura onde o governo é visto como uma fonte inesgotável, um milagre de pães que não exige trigo. É o populismo como anestesia: ele retira a dor da responsabilidade, mas gangrena a capacidade de crescer. O Estado não é o motor da riqueza; ele é, na melhor das hipóteses, o óleo que deveria lubrificar as engrenagens — e que hoje, infelizmente, pesa como chumbo sobre quem tenta girar a roda.

Um país que discute o descanso antes de garantir o sustento é como um marujo que quer ancorar o navio antes mesmo de sair do porto. Estamos empobrecendo não por falta de recursos, mas por excesso de ilusões. A riqueza de uma nação é a soma do que produzimos, e não a altura da voz de quem promete distribuí-la sem antes plantá-la. É um ciclo de dependência que nos mantém pequenos, olhando para o céu à espera de um maná estatal, enquanto a terra debaixo de nossos pés clama por trabalho.

A virada de consciência exige que abandonemos o papel de vítimas de um sistema e assumamos o posto de arquitetos do nosso destino. A verdadeira justiça social não nasce da mão que estende a esmola com o dinheiro alheio, mas da mão que oferece a oportunidade de criação.

Precisamos, urgentemente, de uma gestão que assuma nossa pobreza para poder transcendê-la. Menos retórica de palanque, mais respeito por quem coloca o seu na reta. Afinal, a lógica do mercado é como a gravidade: você pode ignorá-la enquanto pula de um precipício, mas o chão não terá a mesma delicadeza de ignorar você. Que possamos aprender, enfim, que o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário — e o único lugar onde o Estado gera riqueza sozinho é nos contos de fadas que nos impedem de acordar para o sol.

*Maurício Filizola

Presidente da CDL Fortaleza, diretor do Sincofarma-CE e empresário.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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