Com o título “O Brasil da Minha Rua”, eis mais um texto de Marta Pinheiro, escritora, poeta, produtora cultural, curadora literária e parecerista em editais de arte e cultura.
Confira:
Na minha memória de menina, junho não era apenas um mês. Era um país.
Talvez eu romantize um pouco os anos 80, mas lembro deles como um tempo em que a cidade ainda pertencia aos seus moradores. Nas Copas, as ruas eram tomadas por bandeirolas, cadeiras nas calçadas, os rádios disputavam espaço com as televisões, e o São João parecia prolongar a festa do futebol.
Lembro da bandeira do Brasil pintada no asfalto, dos rostos coloridos de verde e amarelo e do hino nacional cantado em coro antes das partidas. Eu ainda não compreendia a dimensão do futebol, mas entendia que algo importante acontecia quando tantas pessoas vibravam juntas. Por algumas semanas, éramos uma só voz♡
Percebo que minhas lembranças falam menos sobre futebol e mais sobre convivência. Falam de uma época em que a rua era uma extensão da casa e a infância acontecia do lado de fora. A cidade parecia respirar em outro ritmo, mais lento e mais humano e muito mais feliz.
*Marta Pinheiro
Escritora, poeta, produtora cultural, curadora literária e parecerista em editais de arte e cultura. Também especialista em Gestão Cultural, estando atualmente como produtora cultural e curadora na Biblioteca Pública Estadual do Ceará.