Com o título “O descaso com o acervo de Humberto Teixeira”, eis artigo de Dalwton Moura, jornalista, produtor cultural e vice-presidente do Sindicato dos Músicos do Estado do Ceará (Sindimuce). Ele lamenta a situação de abandono do acervo de Humberto Teixeira, que foi parceiro de Luiz Gonzaga.
Confira:
O Governo do Estado da Paraíba e a Universidade Fderal da Paraíba (UFPA) vão abrir um memorial em homenagem a Sivuca. com 10 mil peças, doadas por Glorinha Gadelha, viúva do mestre.
No Ceará, o acervo Humberto Teixeira, adquirido após muita luta, segue encaixotado pelo Governo do Estado. Após ter tido parte do material organizado e apresentado em exposição especialíssima, com trabalho hercúleo da professora Lu Basile, da Uece, mas temporária. Um esforço hercúleo da sociedade civil, em uma ação reivindicada pelo Sindicato dos Músicos do Ceará e pelo Movimento Música do Ceará.
Finda a exposição temporária que ocupou o MIS, o acervo voltou a ficar indisponível. Não há nenhuma previsão ou compromisso de se fazer um espaço expositivo permanente, que colocaria Humberto Teixeira em destaque nacional e diminuiria ao menos um pouco o imenso déficit do Ceará quanto à sua música, à sua memória, ao presente e ao futuro de sua cena musical.
Também não há resposta à reivindicação entregue desde junho de 2023 à Prefeitura de Fortaleza e ao Governo do Estado, de implementação de Centros de Referência da Música do Ceará. Na Estação das Artes, um em cada regional da capital e pelo menos um em cada macrorregião do Interior.
Também não houve nunca resposta sobre por que não foi construída, na Estação das Artes, a Sala de Música, com tratamento acústico, piano acústico e condições ideais, além de capacidade necessária e rara na nossa cena, para 300 a 400 pessoas. Jamais se explicou o porquê de não ter sido feita, embora constasse do projeto original da Estação. Quem retirou? Com autorização de quem? Por quê? Não se sabe. Não se viu.
As 30 reivindicações entregues pelo Sindicato dos músicos do Ceará e pelo Movimento Música do Ceará em junho de 2023 à PMF e ao Governo seguem esperando por respostas e ações. Talvez não tenhamos o peso político de outros setores, mas somos cidadãos e cidadãs e merecemos respostas, respeito, soluções, ações.
Que neste 2026 sigamos lutando por melhores escolhas de política cultural e mais respeito aos direitos culturais dos/as cearenses! Vivam a música e os músicos do Ceará.
*Dalwton Moura
Jornalista, produtor cultural e vice-presidente do Sindimuce.