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“O equívoco do governador” – Por Totonho Laprovitera

Totonho Laprovítera, o contador de histórias. Foto: Arquivo Pessoal.

“Para minha surpresa, encontrei apenas dois dedos, bem mixurucas, da bebida no fundo da garrafa”, aponta o arquiteto Totonho Laprovitera

Confira:

Existem amizades surgidas sem a gente imaginar. Nascem de um gotejamento natural, pingo a pingo, até encher o açude da convivência, da confiança e da benquerença.

Com Gonzaga Mota foi assim. Das reuniões em seu escritório, na rua, às conversas em sua casa, o tempo foi costurando nossa amizade com linha grossa e resistente, dessas boas para pegar peixe grande.

O Governador tem um costume curioso: presentear os amigos durante as visitas. Já ganhei dele livros, canetas, uma xícara com o escudo do Flamengo, uma lanterna e uísque.

Sobre o primeiro uísque, há uma história curiosa.

Depois de uma tarde agradável de conversa, na hora da despedida, ele pediu um instante. Disse ter um presente para mim. Abriu um armário baixo, atrás de seu organizadíssimo birô de trabalho, e tirou uma caixa contendo uma garrafa de uísque de doze anos. “É para você beber nas horas antes da meditação ou depois do trabalho” – disse, com a maior naturalidade.

Agradeci, despedi-me e fui embora.

Cheguei em casa e guardei a garrafa para o momento adequado. Um dia, resolvi tomar uma dose. Lembrei-me do uísque, abri a caixa e, para minha surpresa, encontrei apenas dois dedos, bem mixurucas, da bebida no fundo da garrafa.

Fiquei confuso.

Seria aquilo um gesto de amizade: presentear um amigo com dois dedos de uísque? Como desconhecia aquela etiqueta, telefonei para Zé Antunes, pedindo uma explicação sobre tão peculiar fineza social.

Zé ouviu a história e caiu na gargalhada. “Não é nada disso. Foi apenas um pequeno equívoco do meu irmão!”

Não demorou para o Governador me telefonar, pedindo mil desculpas e meu endereço para reparar o engano.

Ainda tentei convencê-lo de não haver necessidade. Afinal, aquela história já valia muito mais do que qualquer reparação.

Dias depois, chegou à minha casa uma pomposa caixa, agora com um uísque de vinte e um anos.

No fim, valeu – e muito – o equívoco do amigo Governador.

Totonho Laprovitera é arquiteto

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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