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“O exemplo de Paulo Diógenes”

Ricardo Kelmer é jornalista, escritor e produtor cultural.

“Paulo impressionava-me pelo seu destemor em se apresentar em bares e restaurantes, tendo que lidar com públicos diversos, bêbados chatos e enfrentar preconceitos”, aponta em artigo o jornalista e escritor Ricardo Kelmer. Confira:

Ah, eu queria matar o Paulo Diógenes… Quando assistia seu espetáculo nos bares, ficava me escondendo na plateia pra Raimundinha não me ver, pois aquela quenga descabelada sempre fazia piada comigo ou me arrastava pro palco, me fazendo corar de vergonha. Bobagem, mas naquela época eu me levava muito a sério. O ano era 1990 e éramos amigos, e, apesar dessas brincadeiras, eu adorava suas apresentações, me emocionava e fazia questão de divulgar seu trabalho.

Um artista ousado, uma potência cênica ‒ assim era o Paulo. Impressionava-me seu destemor em se apresentar em bares e restaurantes, tendo que lidar com públicos diversos, bêbados chatos e enfrentar preconceitos. Ele sempre me surpreendia com seu domínio de palco, a rapidez de raciocínio e a capacidade de improviso. Em 1994, participando da Intocáveis Putz Band, me inspirei nessas suas qualidades pra, nos shows que fazíamos, me sentir mais seguro. Nunca tive a oportunidade de lhe dizer isso.

Desnecessário falar da importância de Paulo Diógenes para o humor do Ceará e, em especial, de Fortaleza. Com seu talento, visão e persistência, ele abriu caminhos e foi determinante na consolidação de um mercado do humor na noite da cidade. Equilibrando-se entre os desafios da carreira artística e seus dramas pessoais, ele foi gigante.

Uma vez, dei carona pro Paulo pra uma apresentação que ele faria num restaurante na Av. Aguanambi. Ele estava no início da carreira e ainda não era conhecido do grande público. Lá chegando, constatou que o restaurante não tinha um espaço adequado pra ele se preparar. E agora?, perguntei, preocupado. Paulo se incomodou com isso? Que nada. Pediu pra eu parar o fusca na rua do lado, e na calçada mesmo improvisou um camarim, usando o banco do carro e o muro de uma casa, sentando no chão. Em dez minutos, o danado se arrumou e se maquiou, concentrado e sem reclamar das condições, e virou Raimundinha. E fez seu show, muito aplaudido como sempre.

Levei vida afora esse exemplo de profissionalismo. Aplausos pro palhaço!

Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com – é jornalista e escritor

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