Com o título “O Histórico 3 de Janeiro de 2026”, eis artigo de João Arruda, sociólogo e prorfessor aposentado da Universidade Federaldo Ceará. “Foi nesse dia que boa parte dos habitantes do planeta Terra despertou, atônito e emocionado, com a notícia da prisão do tirano e narcoterrorista Nicolás Maduro”, expõe o articulsta.
Confira:
Para os povos que ainda vivem sob a sombra de regimes autoritários, espalhados pelos quatro cantos do planeta, o dia 3 de janeiro de 2026 não será lembrado apenas como mais um sábado perdido no calendário. Essa data se eternizará como o marco zero de uma nova era, o amanhecer de uma esperança que brotou, luminosa, no coração da América Latina e que se espalhou para os demais cantos do Planeta.
Foi nesse dia que boa parte dos habitantes do planeta Terra despertou, atônito e emocionado, com a notícia da prisão do tirano e narcoterrorista Nicolás Maduro. As agências de notícias internacionais interromperam suas programações habituais para transmitir o que parecia, para muitos, um sonho longínquo: a prisão do tirano narcoterrorista Nicolás Maduro. A notícia, de forma imediata, contagiou os ouvintes com uma grata sensação de que estavam vivenciando o início de uma grande inflexão política, com o fim dos regimes autoritários no continente americano e o sepultamento tardio do anacrônico Fórum de São Paulo.
E havia motivos para esse sentimento, afinal, o homem que por anos personificou a autocracia, o colapso econômico e a repressão sistemática do povo venezuelano, que financiava governos e partidos autocráticos nas Américas e o anacrônico Fórum de São Paulo, estava, finalmente, sob custódia internacional, onde será julgado por crimes contra a humanidade.
Ao longo desse fim de semana inesquecível, as Américas se transformaram em um grande coro de vozes venezuelanas renascidas. Em Boa Vista, Brasília, Florianópolois, São Paulo, Miami, Bogotá, Santiago, Quito, Buenos Aires, Toronto e tantas outras cidades que abrigaram os exilados da tirania, os gritos de liberdade romperam o silêncio nostálgico do exílio. Eram homens, mulheres e crianças que haviam sido arrancados de sua pátria pela fome, pelo medo e pela perseguição política, reunidos nas praças, nas avenidas, diante de consulados e monumentos, abraçando-se como quem encontra novamente o próprio destino.
Muitos choravam abraçados sem pudor: lágrimas longamente reprimidas escorriam pelo rosto daqueles que haviam enterrado amigos, perdido famílias, abandonado casas, profissões e histórias. Outros erguiam bandeiras gastas pelo tempo e pelo exílio, agitadas como se, naquele gesto, estivessem devolvendo dignidade a um povo inteiro. Rezava-se, cantava-se, dançava-se. Havia tambores improvisados, cânticos patrióticos, palavras de gratidão e alívio. Por um instante, cada praça se converteu simbolicamente em Caracas, e o coração disperso de uma nação, espalhado pelo continente, pulsou junto, como se anunciasse ao mundo o fim da noite e a chegada do primeiro clarão da aurora.
A tragédia chavista empurrou para o exílio mais de oito milhões de venezuelanos, um terço da população, forçados a abandonar sua pátria não por escolha, mas por puro instinto de sobrevivência diante da devastação econômica, da corrupção generalizada e do esmagamento brutal das liberdades. O número de presos políticos na Venezuela é o maior entre as nações ocidentais, superando até mesmo Cuba e Brasil. Segundo o Foro Penal Internacional, somente esse ano, já passa de 870 o número de encarcerados por “crimes políticos”, entre eles mais de 160 mulheres e dezenas de adolescentes. Um símbolo sombrio dessa barbárie é o El Helicoide, antigo shopping center de Caracas, hoje convertido em masmorra estatal, um verdadeiro laboratório de tortura, sofrimento e execuções extrajudiciais. Relatórios da ONU e da Human Rights Watch apontam que mais de 20 mil venezuelanos foram sumariamente executados ao longo dessa era de trevas que se arrastou por décadas sob o chavismo.
Enquanto milhões ao redor do mundo tomavam as ruas em apoio ao povo venezuelano, à derrocada de um regime assassino e a vitória da democracia, no Brasil, na contramão da história, assistimos a um espetáculo melancólico: pequenos grupos de tresloucados alienados, alinhados com o governo Lula, protestaram em defesa da “soberania” venezuelana e contra a ação internacional que pôs fim à tirania. A ironia mais cruel é que muitos desses mesmos militantes já foram presos e torturados por regimes, ainda assim insistem em defender seus algozes, num triste ritual de cegueira ideológica.
Essa autoproclamada esquerda brasileira é a mesma que aplaudiu a invasão russa na Polônia, silenciou diante dos massacres cometidos pelo Hamas contra civis judeus e apoiou a retirada ilegal da ex-primeira-dama peruana Nadine Heredia condenada por corrupção, realizada pelo governo Lula. Em todos esses episódios, nenhuma palavra sobre “soberania violada”, nenhuma lágrima pelas vítimas ou indignação pelos crimes cometidos. A verdade, nua e crua, é que a defesa que proclamam da democracia é profundamente seletiva, e se dobra sempre ao sabor de seus interesses políticos e ideológicos.
Assim, o 03 de janeiro de 2026 não simboliza apenas a queda de um déspota. Ele reacende, para milhões de democratas, a chama antiga da liberdade, e denuncia, ao mesmo tempo, a hipocrisia daqueles que a invocam a liberdade e a soberania apenas quando lhes convém.
*João Arruda
Sociólogo e professor aposentado da Universidade Fedreal do Ceará.
Respostas de 2
Parabéns.
Ouso destacar 8 MILHÕES e repetir do artigo tão brilhante:
A tragédia chavista empurrou para o exílio mais de oito milhões de venezuelanos, um terço da população, forçados a abandonar sua pátria não por escolha, mas por puro instinto de sobrevivência diante da devastação econômica, da corrupção generalizada e do esmagamento brutal das liberdades.
Texto contundente e necessário. João Arruda acerta mais uma vez ao registrar a queda de um tirano e, sobretudo, ao expor a hipocrisia de quem relativiza crimes autoritários por conveniência ideológica!!!
Um artigo que incomoda porque diz verdades, e que reafirma que democracia não pode ser seletiva. Parabéns ao professor pela coragem e lucidez👏🏼