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“O iceberg da informação – Por que entendemos cada vez menos aquilo que consumimos?” – Por Ricardo Cappra

Ricardo Cappra é filosofo e escritor. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “O iceberg da informação – Por que entendemos cada vez menos aquilo que consumimos?”, eis artigo de Ricardo Cappra, Pesquisador de cultura analítica, filósofo, empreendedor em tecnologia e escritor. “A cultura orientada por dados criou uma falsa ideia de neutralidade. Números parecem incontestáveis. Algoritmos transmitem autoridade. Mas dados não falam sozinhos. Eles são escolhidos, tratados e interpretados”, expõe o articulista.

Confira:

Vivemos cercados por informações. Gráficos, rankings, indicadores, estatísticas que prometem clareza e objetividade. Nunca tivemos tanto acesso a dados e, paradoxalmente, nunca foi tão difícil compreender o que eles realmente significam. A sensação de entendimento é confortável, mas enganosa. O que consumimos é apenas a ponta de um iceberg.

Na superfície estão as informações prontas: manchetes, dashboards, relatórios, números organizados para rápida leitura. Abaixo da linha d’água, invisível para a maioria das pessoas, está a parte mais decisiva do processo: como os dados foram coletados, quais recortes foram feitos, que critérios utilizaram na sua organização e quais narrativas são construídas a partir deles. É nesse espaço oculto que a realidade começa a ser moldada.

A cultura orientada por dados criou uma falsa ideia de neutralidade. Números parecem incontestáveis. Algoritmos transmitem autoridade. Mas dados não falam sozinhos. Eles são escolhidos, tratados e interpretados. Cada gráfico carrega decisões anteriores, interesses explícitos ou implícitos e vieses que raramente aparecem na superfície da informação.

Esse fenômeno afeta tanto empresas quanto a sociedade. Decisões corporativas são tomadas a partir de indicadores que mostram eficiência, mas escondem impactos humanos. Políticas públicas se apoiam em estatísticas que ignoram contextos sociais. Sistemas automatizados reproduzem desigualdades sob a aparência de racionalidade técnica. A informação pode estar correta e, ainda assim, ser insuficiente ou enganosa.

O avanço da inteligência artificial aprofunda esse iceberg. Ferramentas capazes de gerar análises e narrativas sofisticadas proporcionam um resultado ainda mais convincente, enquanto o processo que o sustenta se torna menos auditável. Quanto melhor a história, menor a curiosidade sobre sua origem. A pergunta deixa de ser “isso é verdadeiro?” e passa a ser “como isso foi construído?”.

Informação não é apenas dado, nem apenas narrativa. É a combinação dos dois. Quando esse equilíbrio se rompe, caímos em dois extremos igualmente perigosos: números sem sentido ou histórias sem lastro na realidade. Em ambos os casos, perdemos capacidade crítica.

Mergulhar no iceberg da informação não é um exercício técnico, mas um gesto de responsabilidade. Questionar recortes, pedir contexto, entender premissas e limites deixou de ser opcional. Em um mundo orientado por dados, quem aceita apenas a superfície corre o risco de confundir clareza com verdade e informação com ilusão.

*Ricardo Cappra

Pesquisador de cultura analítica, filósofo, empreendedor em tecnologia e autor de “Híbridos: o futuro do trabalho entre humanos e máquinas”.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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