“O indiozinho Guary e a luta dos índios Pitaguary

Professor João Teles. Foto: Reprodução

“Esse povo (pitaguary) vive em Maracanaú (Santo Antônio) e Pacatuba (Monguba) e trabalha, dia e noite, por um lugar ao sol”, aponta o professor João Teles

Confira:

A luta dos povos nativos do Ceará vem de longe. Principalmente pela terra, saúde e educação. Não é de hoje que esses povos lutam tanto, por reconhecimento de suas terras, de suas vontades, de sair da mesmice e do anonimato. Nessa história de crianças, trago um pouco do retrato disso: “Guary era um indiozinho pitaguary de uns oito anos. Muito esperto, Guary falava como gente grande. Discutia assuntos adiantados para sua idade. Um dia ele se encontrou à beira do açude com outros corumins e começou a puxar conversa: – Gente, vocês precisam ver como é que está o cacique! Está cabisbaixo, triste, melancólico!

– E o que foi que houve? – perguntou uma menina de cabelos entrançados.

– Ah, vocês não sabem? Ele esteve em Brasília, um lugar desses bem distantes, e descobriu que nossas terras ainda vão demorar um tempão, para serem demarcadas!

– Meu deus tupã, isso vem de longe! Lastimou-se um indiozinho coxo.

– É, a luta vem de muito longe! Até os mais velhos já falavam sobre isso! – falou Guary.

E assim continuaram conversando e lamentando que, na comunidade não tivesse melhores escolas e atendimento de saúde.

Por fim, Guary chamou todos para a mangueira bicentenária e foram brincar um pouco. Depois voltariam a conversar sobre assuntos de índio grande.

Guary conversaria mais com o pajé e com o cacique, para se inteirar melhor e discursar bem e mais. Aliás, Guary gostava mesmo era de discursar.

Não podia ver um bom galho daqueles deitados, que pulava nele.

Dali improvisava discursos e animava os outros meninos!”

Esse povo (pitaguary) vive em Maracanaú (Santo Antônio) e Pacatuba (Monguba) e trabalha, dia e noite, por um lugar ao sol, por um lugar de destaque, não no Estado todo e nos holofotes da vida, mas na comunidade onde vive e cuida da natureza, com tanto gosto e com tanto destemor.
Viva o povo pitaguary e todos os outros, que não param de combater o bom combate!

João Teles de Aguiar é professor, integrante do Projeto Confraria de Leitura (Granja Portugal)

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