“O jogo agora é outro” – Por Valdélio Muniz

Valdélio Muniz é jornalista. Foto: Divulgação

Com o titulo “O jogo agora é outro”, eis artigo de Valdélio Muniz, jornalista e professor universitário. “Eleição é sempre uma oportunidade não apenas de comparecer à urna para cumprir um direito de cidadania. É também um necessário e valioso exercício de desprendimento, racionalidade e responsabilidade social”, expõe o articulista.

Confira:

Há poucos dias estávamos no clima de final de ano e, de repente, já se aproxima do fim o primeiro mês de 2026. Para nós que não fomos contemplados com a mega da virada, resta a consciência de que a loteria da vida exige de todos nós, novamente, muito mais do que apenas sorte. A sorte é ingrediente bem-vindo a se somar à nossa dedicação cotidiana a tudo aquilo que fazemos. Mas, o jogo agora é outro: a verdadeira (e mais garantida) loteria é a que vencemos dia a dia (com trabalho, suor, cansaços, desapontamentos e também vitórias, entre elas nossa saúde e daqueles a quem queremos bem). 2026 promete ser um ano que traz mais do que uma enxurrada de feriadões e
“imprensados” (além dos já tradicionais carnaval e sexta-feira da Paixão). Será ano de copa do mundo (mas não se iludam: os jogos do Brasil, em sua maioria, não coincidirão com o horário comercial) e, principalmente, de eleger presidente da República, senadores, governadores, deputados federais e deputados estaduais.

Eleição é sempre uma oportunidade não apenas de comparecer à urna para cumprir um direito de cidadania. É também um necessário e valioso exercício de desprendimento, racionalidade e responsabilidade social. Desprendermo-nos de quaisquer resquícios de ódio, rancor ou ressentimento. Desprendermo-nos de todo interesse meramente pessoal, possibilidade de vantagem imediata ou de escolha calcada em laços meramente familiares, corporativos ou de amizade.

Sim, é sempre imprescindível lembrar que voto tem consequência e que isso se aplica a todos os cargos em disputa. Diante da urna eletrônica, não basta escolher um bom candidato a presidente da República ou a governador e não garantir, também, qualidade, compromisso e olhar sensível às questões verdadeiramente sociais por parte daqueles irão compor o Legislativo. Ninguém, sozinho, é capaz de “aprumar” um País. As composições atuais da Câmara dos Deputados e do Senado são a prova inconteste do quão perniciosas à coletividade podem ser escolhas distorcidas, viciadas ou feitas sem critérios adequados.

Que neste novo ano adotemos novos modos (mais racionais) de escolha daqueles que enviamos ao Legislativo, pesquisando seus históricos de vida (pessoal e política), quem são os financiadores de suas campanhas, como se comportaram (aqueles que exercem mandatos) em votações importantes. Eis a responsabilidade social que nos cabe: escolher bem, acompanhar e dar aos escolhidos de agora e de antes a resposta que mereçam. Que nossas apostas sejam mais conscientes e consequentes e não nos iludamos por manipulações ou falso marketing. Para o nosso próprio bem e para o desespero de quem ainda aposta num sistema viciado e incapaz de oferecer as respostas
e soluções que, coletivamente, tanto temos necessitado e há tanto tempo.

Que tenhamos a necessária noção de que as escolhas que fizermos no processo eleitoral dirão respeito não apenas a nós mesmos, mas ao presente e ao futuro de tantos quantos amamos e impactarão no modelo de país que pretendemos fortalecer internamente e apresentar ao resto do mundo. Que saibamos tirar as devidas lições do passado e, naquele precioso instante (pelo menos diante da urna), consigamos nos despir de qualquer ressentimento, rancor, interesse meramente pessoal ou qualquer tipo de preconceito e exercer a racionalidade que o tempo e o País suplicam a cada um de nós. Porque depender da sorte, repito, vale para jogo de aposta, com os riscos que lhe são próprios, mas não para a garantia de preservação da democracia em seu mais pleno sentido.

O precioso direito (de cidadania) ao voto nos foi confiado não para que o usemos de qualquer jeito nem para que façamos dele moeda de troca (ou venda), mas para que possamos, responsavelmente, contribuir para indicar os rumos que queremos como povo e nação, uma coletividade que, quando necessário, saiba assim agir e se defender de possíveis aventuras (ou de aventureiros) que adentram à política não para contribuir, de fato, com o desenvolvimento da polis (cidade, estado, país), mas tirar dela o proveito possível a si e aos seus mais próximos.

*Valdélio Muniz

Jornalista e professor universitário.

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