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“O País que se curva às próprias sombras” – Por Gera Teixeira

Gera Teixeira é empresário. Foto: Divulgação

Com o título0 “O País que se curva às próprias sombras”, eis artigo de Gera Teixeira, empresário. “O Brasil não está sem rumo por falta de capacidade, mas por falta de coragem de abandonar seus ídolos. Enquanto continuarmos reféns de personagens e não de propósitos, seguiremos presos ao eterno retorno das mesmas ilusões”, expõe o articulista.

Confira:

A política brasileira afundou em um tempo onde as pessoas valem mais que as ideias. Não discutimos projetos, discutimos personagens. A polarização capturou o debate público e o reduziu a um duelo de figuras que nada representam além de si mesmas. É a política do personalismo, um retrocesso que nos devolve aos velhos mitos de chefes carismáticos, como se ainda estivéssemos presos aos ecos de Alexandre, O Grande, às marcas do getulismo ou aos delírios do peronismo. Nada disso nos empurra para o futuro. Apenas nos prende a um passado que insiste em não morrer.

No Brasil, essa distorção ganhou forma caricatual. O bolsonarismo e o lulismo deixaram de ser correntes políticas e se tornaram identidades emocionais que turvam a razão, aprisionam o debate e empobrecem a vida pública. O povo, reduzido a detalhe, transformou-se em massa manuseável por narrativas que dispensam profundidade e alimentam antagonismos que pouco têm a ver com o bem comum. No lugar do diálogo, trincheiras. No lugar da convergência, hostilidade. No lugar da responsabilidade pública, o jogo de interesses que atravessa governos, partidos e poderes.

O país perdeu o sentido da liderança verdadeira. O líder nasceu para servir, mas aqui se decidiu que deve ser servido, reverenciado, blindado. A inversão de valores virou regra. O poder é tratado como conquista pessoal e não como instrumento de transformação coletiva. É assim que permanecemos curvados às próprias sombras, repetindo ciclos que se alimentam de privilégios, benesses e negociações subterrâneas.

O Brasil não está sem rumo por falta de capacidade, mas por falta de coragem de abandonar seus ídolos. Enquanto continuarmos reféns de personagens e não de propósitos, seguiremos presos ao eterno retorno das mesmas ilusões.

*Gera Teixeria

Empresário.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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