“O plano de Ciro era perfeito, até derrapar na vaidade” – Por Nicolau Araújo

Nicolau Araújo é jornalista

“Ciro perdeu-se em caminhadas, em carreatas, em palanques, em abraços, em sorrisos e acenos, em suas próprias promessas. E passou a acreditar que, de fato, poderia ser eleito governador do Ceará”, aponta o jornalista Nicolau Araújo

Confira:

Quando Ciro Gomes iniciou o movimento de uma pré-candidatura ao governo do Estado, ele não vislumbrava comandar o Palácio da Abolição pelos próximos quatro anos, pois conhece na palma da mão o sistema praticamente infalível de continuísmo de poder no Ceará, não porque o vivenciou por longos 14 anos (8 anos de Cid Gomes e 6 anos de Camilo Santana), mas por ter comandado a sua implementação. Tamanha eficácia alcançará agora 10 anos (2 anos de Izolda Cela, 4 anos de Elmano e mais 4 anos de Elmano).

Na verdade, o plano de Ciro era bem maior do que reunir pedaços de opositores em Fortaleza para ir a uma batalha campal no estilo “300”, produção cinematográfica de 2006, baseada na história “Os 300 de Esparta”.

Ciro usaria as lideranças de André Fernandes (PL) e Capitão Wagner (União) para o fortalecimento de seu fragmentado exército (tropa) do PSDB. A eleição ao governo do Ceará serviria como “distração” para a recuperação da imagem de seu vice Roberto Cláudio para a disputa à Prefeitura de Fortaleza, em 2028. Ao mesmo tempo, André Fernandes perderia a legitimidade de uma candidatura ao Paço Municipal, ao posar ao lado do ex-prefeito Sarto, neoaliado… Mas a culpa não era do Sarto?

E Ciro passou a destacar o perfil de gestor de Roberto Cláudio a cada entrevista na pré-campanha, assim como induziu falas de André Fernandes sobre “o melhor prefeito de Fortaleza”.

Os mais de dois milhões de votos alcançados também foram previstos por Ciro.

(…)

Ele só não previu que mais uma vez sucumbiria à vaidade…

Ciro perdeu-se em caminhadas, em carreatas, em palanques, em abraços, em sorrisos e acenos, em suas próprias promessas (propostas). E passou a acreditar que, de fato, poderia ser eleito governador do Ceará.

Roberto Cláudio, antes o foco da campanha, passou a ser coadjuvante, depois figurante e, por fim, eleitor.

A abertura das urnas mostrou que o plano seria perfeito. Mas Roberto Cláudio ficou no ostracismo, enquanto André Fernandes se afastou de Sarto e ainda bateu o recorde de votos a deputado federal, antes do próprio Ciro Gomes.

Cabe a Ciro, nos próximos dois anos, esquecer que um dia conheceu Roberto Cláudio e abraçar-se a André Fernandes, que recuperou a legitimidade da disputa ao Paço Municipal. E Ciro, quem sabe, poderá virar uma espécie de primeiro-ministro de Fortaleza, em caso de vitória de André.

Resta saber se o deputado do PL não passará a sentir-se maior que Ciro, agora que detém o recorde de votos à Câmara Federal.

É culpa do Ciro…

Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido

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