Com o título ‘O Poder”, eis artigo de Tales M. de Sá Cavalcante, reitor do FB Uni, diretor-geral da Organização Educacional Farias Brito e presidente da Academia Cearense de Letras “O poder é encantador não pela economia, senão por prometer segurança, sentido, reconhecimento e imortalidade simbólica. Nele há a promessa, mas nunca a entrega por completo”, expõe o articulista
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Por uns elogiado, por outros criticado, Golbery do Couto e Silva, ideólogo no nosso último regime militar, dizia: “poder não é improviso nem carisma; é planejamento”. Os defeitos do general não o impediram de possuir uma boa biblioteca. E afirmava: “uma gripe nos permite pôr a leitura em dia”.
Acometido por uma virose recente, li bastante e soube pela TV que Gilberto Kassab, como fazia o PSD de outrora, o mesmo de JK e Tancredo, habilmente uniu, no atual PSD, os pré-candidatos a presidente: Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. Um deles deverá compor, com Flávio Bolsonaro e Zema, o time da dita direita. Lula já é o pole position da dita esquerda.
Que bom seria um Brasil com voto distrital e mandatos políticos únicos com duração de 5 anos. Quase sempre, o dirigente de um pequeno clube não aceita perder o cargo. Imagine um Presidente da República. O desejo de liderar um país se dá pelo poder, acompanhado, ou não, de outros motivos. Poderio em excesso leva às oligarquias, e Biden custou a reconhecer o “peso da idade”.
Em 1992, James Carville, estrategista da disputa de Bill Clinton nos EUA contra George Bush, cunhou a frase: “É a economia, estúpido”, e ensinou-a aos parceiros de campanha por desejar que a citação fosse uma das três mensagens da estratégia. As outras eram “Mudança versus mais do mesmo” e “Não se esqueçam da saúde”.
O poder é encantador não pela economia, senão por prometer segurança, sentido, reconhecimento e imortalidade simbólica. Nele há a promessa, mas nunca a entrega por completo. Para Freud, o apego ao poder se dá por: narcisismo, sentimento de desamparo, sublimação da agressividade com pulsão de morte e fantasia de onipotência infantil. Já para Nietzsche, dá-se pela afirmação da própria existência, crítica à moral tradicional e ainda desejo de criar e superar limites impostos à expressão natural da vida — não por ilusão de segurança.
A respeitar esses e outros históricos pensadores, sigamos o parágrafo único do artigo 1º de nossa Constituição: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
*Tales M. de Sá Cavalcante
Reitor do FB Uni, diretor-geral da Organização Educacional Farias Brito e presidente da Academia Cearense de Letras
tales@fariasbrito.com.br