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“O PT e o eleitorado 60+” – Por Simão Pedro

Simão Pedro é deputado na Alesp

“Envelhecimento do eleitorado exige mudança de postura e compromisso real do partido com os direitos e a representatividade das pessoas idosas”, aponta o deputado estadual na Alesp, Simão Pedro

Confira:

Pela primeira vez em seus 46 anos de existência o PT criou o Setorial Nacional da Pessoa Idosa em decorrência de demandas sobre direitos necessários a este segmento por conta do rápido envelhecimento populacional e da mudança da faixa etária de parte substancial de sua militância. Muito importante!

Porém, o que seria um fato para comemoração, na verdade, tem se revelado uma necessidade de profunda reflexão sobre o agir e o pensar do partido (militância em geral e direções) em relação ao envelhecimento, suas demandas e políticas públicas.

O IBGE 2022 consolidou a percepção de que o Brasil passa por um rápido envelhecimento da sua população. Em 2010, o segmento dos 60+ era de cerca de 10%, 12 anos depois saltou para perto de 16% e hoje está em mais de 17%, em um total de quase 34 milhões de pessoas.

Este montante substancial representa uma força politica eleitoral que tem sido apontado pelos levantamentos tanto do TSE quanto dos TREs, como do estado de São Paulo.

Em 2025, a análise do Tribunal Superior por faixa etária mostra que o crescimento do eleitorado se concentrou principalmente entre pessoas mais velhas. Os maiores avanços foram registrados entre eleitores de 65 a 69 anos, com acréscimo de 241,9 mil registros, seguidos pelas faixas de 45 a 49 anos, com 230,9 mil, de 75 a 79 anos, com aumento de 198,8 mil — grupo para o qual o voto é facultativo — e 60 a 64 anos com 197,4 mil.

Os dados de 2024 do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) também destaca o aumento da população com mais de 60 anos entre o eleitorado.

Do total de 34 milhões eleitoras e eleitores, houve um crescimento de 3,93% entre os 60 +, totalizando 7,94 milhões de pessoas, o que representa 23,1% do total. A faixa etária de 60 a 69 anos registrou um aumento de 2,54%,atingindo 4,47 milhões de eleitores, dos quais 2,45 milhões são mulheres e 2,01 milhões, homens.

O maior crescimento, no entanto, vem do eleitorado acima de 69 anos, que mais que dobrou em relação ao grupo anterior, apresentando um índice de 5,78% e totalizando 3,47 milhões de cidadãos: 2 milhões de mulheres e 1,47 milhão de homens. É importante ressaltar que, a partir dessa idade, o voto é facultativo, o que torna o engajamento dessa faixa etária ainda mais significativo.

Esses números não apenas falam sobre a transição demográfica, mas também revelam que as vozes dessa geração madura têm cada vez mais peso nas eleições.

Diante disso, não é possível entender a completa omissão sobre os direitos das pessoas idosas na última resolução do Diretório Nacional do PT aprovada em Salvador.

Em seus 50 tópicos não menciona sequer as Pessoas Idosas. No tópico 22, faz referência ao Plano Nacional de Cuidados, que foi criado com a meta de proteger três grupos prioritários, crianças/adolescentes, população idosa e PCDs, mas há apenas só menção à proteção à primeira infância.

Infelizmente, há uma triste constatação de que o idadismo estrutural que atinge a sociedade também percorre o interior do partido.

Diferentemente dos neoliberais que consideram o envelhecimento como um ônus para a sociedade com ameaças de uma nova reforma da Previdência com o aumento da idade para a aposentadoria, congelamento dos reajustes no Salário Mínimo e dos benefícios do INSS, nós devemos adotar uma percepção positiva do envelhecimenento adotando a demografia como uma nova orientação política e um novo paradigma. Segundo o TSE somos o segundo grupo etário de eleitores, 23,16%, somente superado pelo grupo de 45 a 59 anos, 25,59%.

A luta contra uma nova Reforma na Previdência deve andar junto com os direitos das pessoas idosas nas áreas da Saúde, Assistência Social, Moradia, Mobilidade, Educação, Cultura e Lazer. Precisamos traçar uma jornada intergeracional. Um partido político como o PT deveria ser um locus intergeracional por excelência. Vamos juntos, idosos, maduros e jovens fazer o embate contra o extremismo em 2026 para sairmos novamente vitoriosos com a reeleição do presidente Lula, que aos 80 anos conduz de maneira brilhante e potente o destino do nosso país.

Simão Pedro é deputado estadual na Alesp

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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