“O segundo turno virou plebiscito, então?” – Por Leopoldo Martins

Leopoldo Martins é da Comissão Eleitoral da OAB-Ceará.

Com o título “O segundo turno virou plebiscito, então?”, eis artigo de Leopoldo Martins, advogado, membro consultivo da Comissão Eleitoral do Conselho Federal da OAB e membro titular da Comissão Eleitoral da OAB/Ceará. “A paixão política não é o problema. O risco é transformar o candidato em ídolo e o adversário em inimigo, como se questionar promessas fosse traição. Nenhum eleito recebe cheque em branco. A fiscalização deve continuar após a apuração, independentemente de quem vença”, expõe o articulista.

Confira:

No segundo turno, o país parece caber em duas opções: apoiar um lado ou impedir o outro. Mas escolher o presidente pode se resumir a um “sim” ou “não” a uma liderança? O voto também define prioridades que afetarão milhões de brasileiros.

O segundo turno pode assumir contornos de plebiscito. O eleitor avalia o governo e expressa desejo de continuidade ou mudança. Isso faz parte da democracia. O problema surge quando essa avaliação domina o debate e apaga o que cada candidatura pretende fazer. Compare promessas, propostas e resultados concretos.

Enquanto as redes alimentam disputas entre torcidas, questões essenciais exigem respostas: como reduzir o custo de vida, ampliar emprego e renda, enfrentar a violência e melhorar saúde e educação? Que oportunidades haverá para os jovens? Não basta anunciar objetivos; é preciso explicar prioridades, custos e execução.

Essas perguntas importam ao Ceará e ao Nordeste. O eleitor precisa saber como os projetos nacionais repercutirão na segurança, no saneamento, na infraestrutura e no desenvolvimento regional. As necessidades das famílias não desaparecem porque a campanha se concentra na rivalidade política.

Também está em jogo o compromisso com a Constituição, a separação dos Poderes, a liberdade de imprensa e a independência das instituições. A escolha envolve propostas e resultados, mas também os limites de quem governa.

A paixão política não é o problema. O risco é transformar o candidato em ídolo e o adversário em inimigo, como se questionar promessas fosse traição. Nenhum eleito recebe cheque em branco. A fiscalização deve continuar após a apuração, independentemente de quem vença.

Votar contra alguém é um direito; saber o que se escolhe é uma responsabilidade. Se o segundo turno virou plebiscito, cabe perguntar: estou julgando o passado, escolhendo um futuro ou apenas rejeitando o adversário? A democracia ganha quando o voto deixa de ser torcida e se torna decisão consciente, acompanhada de cobrança.

*Leopoldo Martins

Advogado e membro consultivo da Comissão Eleitoral do Conselho Federal da OAB e membro titular da Comissão Eleitoral da OAB/Ceará. 

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