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“O Sequestro da Direita” – Por Padre Joãozinho

Pe. Joaozinho é doutor em Teologia pela PUC-SP, doutor em Educação pela USP e doutor em Espiritualidade pela Gregoriana (Roma).

Com o título “O Sequestro da Direita”, eis artigo do Padre Joãozinho, doutor em Teologia pela PUC-SP, doutor em Educação pela USP e doutor em Espiritualidade pela Gregoriana (Roma). “Há pessoas que transformam a política num teatro de aparências. Parecem conservadoras, mas cultivam vulgaridade. Parecem religiosas, mas vivem espalhando ódio. Parecem defensoras da moral, mas acumulam escândalos, incoerências e acusações graves”, expõe o religioso.

Confira:

Numa democracia madura, é legítimo existir direita, esquerda, centro-direita, centro-esquerda e tantas outras correntes de pensamento político. Isso faz parte da liberdade. Cada cidadão tem o direito de se identificar com ideias econômicas, sociais, culturais e morais que considere mais próximas de sua consciência e de sua visão de mundo.

Essas ideias se organizam em partidos políticos, que apresentam seus programas, candidatos e propostas ao povo. Assim funciona a democracia. Quase todos os países democráticos possuem partidos de direita e de esquerda convivendo dentro das regras institucionais.

O problema começa quando uma corrente política é sequestrada por pessoas que apenas usam um discurso ideológico como estratégia de marketing eleitoral. Nem todo aquele que grita “sou de direita” vive valores conservadores. Nem todo aquele que posa de defensor da família consegue testemunhar coerência na própria vida. Nem todo aquele que usa símbolos religiosos tem compromisso com a ética, com a verdade e com a dignidade humana.

Há pessoas que transformam a política num teatro de aparências. Parecem conservadoras, mas cultivam vulgaridade. Parecem religiosas, mas vivem espalhando ódio. Parecem defensoras da moral, mas acumulam escândalos, incoerências e acusações graves.

O filósofo Nicolau Maquiavel, em seu clássico, “O Príncipe”, ensina uma lógica perigosa: para muitos políticos, mais importante do que ser é parecer. Criam um simulacro. Vestem a fantasia ideológica que mais rende votos. Descobrem que o eleitor conservador deseja alguém religioso, firme, patriótico e defensor dos valores tradicionais. Então encenam esse personagem.

Mas a verdade sempre encontra uma fresta por onde aparecer.

A democracia precisa de cidadãos conscientes, críticos e honestos intelectualmente. Pessoas capazes de distinguir convicção verdadeira de manipulação emocional. A política não pode ser um concurso de gritos, memes ou idolatrias.

Em tempos de aproximação eleitoral, vale recordar a palavra bíblica: “Nada há de escondido que não venha a ser revelado” (Lc 12,2).

E quem tem telhado de vidro, tome cuidado antes de atirar pedras.

*Padre Joãozinho

Doutor em Teologia pela PUC-SP, doutor em Educação pela USP e doutor em Espiritualidade pela Gregoriana (Roma).

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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