Com o título “Os Espelhos da Vida”, eis mais um poema de Banksy de Campos, anglo-português, ativista, poeta, anônimo.
Confira:
Está acontecendo,
mas por que está acontecendo?
Você não sabe. Eu não sei.
Talvez ninguém saiba.
Existe uma história dentro de nós,
ou somos nós que existimos dentro da história?
Às vezes parece que é só metade,
você escreve metade,
deixa a outra metade ir.
Deixe ir.
Somos parte do oceano?
Ou somos o oceano inteiro,
esquecido de si mesmo,
fingindo ser uma onda?
Está tudo isso escrito
nas linhas de nossas palmas?
Ou a vida é a morte suave
de nossas intenções mais puras?
Ou, e aqui mora o mistério,
nossas mãos constroem o próprio destino
enquanto acreditam apenas seguir um mapa.
Ei, deixe me entender
sua sabedoria e a minha.
Mas nisso,
não entender já é a própria sabedoria.
Como uma borboleta
sobre uma flor que flutua na correnteza,
às vezes deixe a pairar.
Às vezes deixe a voar.
Deixe a ir.
A vida é como a água da chuva.
Pegue metade da carga.
Deixe a outra metade fluir.
Isso é um pouco mais do que o necessário.
Isso é um pouco menos do que o necessário.
A palma da mão está na beira,
entre o segurar e o soltar,
entre o saber e o não saber.
Quem sabe…
Existe uma história dentro de nós?
Ou somos nós que existimos dentro da história?
Talvez a resposta
more exatamente
nessa pergunta
que nunca se fecha.
*Banksy de Campos, anglo-português, ativista, poeta, anônimo.