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“Os pontos fracos do debate da gafe” – Por Norton Lima, Jr

Norton Lima, Jr é jornalista

“Faltou o nocaute anunciado pelos ciristas”, aponta o jornalista Norton Lima, Jr

Confira:

O debate da Band (entre Ciro, Elmano e uma cadeira vazia) pode ter sido fraco para o público, mas foi ótimo para a crítica.

Todo luto da desilusão é sempre bem-vindo. Quem foi ao cinema na expectativa de ver uma odisseia com altos efeitos especiais, tiros, porradas, bombas, saiu desiludido com a Cirodisseia à pianinho, em nada espetacular.

Faltou o nocaute anunciado pelos ciristas — surpreendidos pela valentia do Elmano, anunciada pelo próprio Elmano e confirmada nas considerações finais por Ciro.

Agora, cantar vitória, mesmo por pontos, como estão a fazer ambos, apenas revela as respectivas inconsciências com as respectivas perdas, porque não há sucesso onde o público não vê o espetáculo.

Vence quem erra menos. E erra menos quem prevê surpresas. Elmano investiu mais nesse ponto do que Ciro. Seu estoque de respostas prontas foi maior e melhor. E o resultado foi visível.

Elmano derrubou alguns tabus: que ele seria um fracote e Ciro, imbatível. Saiu empoderado, ganhou ânimo e esquentou o sangue.

Antes do debate, na consulta das previsões, ouvi de muitos que Elmano ganharia ao continuar de pé, ao não titubear, ao não gaguejar. Ele saiu de pé, não titubeou ou gaguejou. Então, Elmano venceu? Não, porque em tudo há nuances. Mesmo bem preparado, mais focado, Elmano derrapou por acreditar que a tergiversação serve como a melhor resposta.

Tergiversar (ou sabonetar) pode servir para driblar perguntas difíceis de jornalistas, nunca para vencer um debate.

Eis o ponto onde Ciro cresceu. Ciro não sabonetou. Mestre da retórica, ele não precisou ficar procurando o acesso das palavras. O bicho tem um curso de filologia correndo nas veias. Sua atenção estava no autocontrole, para não deixar que o gênio difícil comandasse a língua afiada.

Na leitura da esgrima, onde estava a cautela, estavam os pontos fracos. Elmano abriu o flanco onde perde a elegância; e Ciro, onde perde a excelência.

Elmano confundiu firmeza com soberba e abriu o flanco de raivoso, expondo a elegância ensaiada. Ciro confundiu respeito com bajulação e abriu o flanco do relativismo, expondo sua controversa vida nacional — na condução de seu mandato de deputado federal, nas suas candidaturas presidenciais.

Ciro cobrou autocrítica do Elmano em relação a insegurança pública (aliás, fez a mesma pergunta que João Santana orientou ACM Neto a cobrar de Jerônimo na Bahia). Elmano não respondeu e replicou ad hominem, “você também precisa fazer a sua por não respeitar”… a mediocridade.

Como mudar o Ceará passando pano e respeitando a mediocridade?

Ciro voltou sem ter vencido a batalha de Tróia. Esse é o calcanhar do Aquiles. Os adversários já encaixam o argumento “Fracaciro, que o Ceará não é plano B de político fracassado”. E Ciro ainda aparece frustrado, em deprêciro, que tende a agravar, porque não há sinais de tomada de consciência para esse erro estratégico recorrente.

Ciro ganharia sendo sensato, paciente, modesto e respeitador. E foi. E Ganhou. Mas perderia em caso de persistir nessa fala tecnocrática, em apoiar-se em dados e números e estatísticas abstratas que ninguém entende.

Os dados que Ciro afirma, são os mesmos que Elmano nega. Por exemplo, Ciro diz, “não há investigação sobre os crimes”. Elmano desdiz, “100% dos homicídios são investigados”. As analogias foram criadas para acabar com disse-me-disse. Estatísticas não vão explicar cabeças decapitadas boiando nas praias de Fortaleza. Nem filas de ambulâncias vindas do interior abandonado.

A falta de analogias mostra a falta conteúdo. Ciro ainda não está confortável; está deprimido por descer de grandes auditórios para um canto de parede num Senac.

O eleitor vota em atributos pessoais, mais do que em projetos, promessas, diagnósticos tecnocráticos. Vota na ética do candidato a governante. Interessa-lhe o tirocínio para decidir, a bondade, a generosidade, a gratidão, a mundivisão, a estética (no Ceará substituída pela moral).

Elmano confessou-se “homem de grupo”, portanto, dependente de decisões governadas por coletivos. Ciro foi mais coiote — apesar de deixar vazar as presunções de sua antropologia sobralense, muito rejeitada no Ceará, o estado mais sem frescura do Brasil.

Há uma coisa ainda a destacar. Ciro ainda não encaixou na série de fracassos, suas rotas de vitórias enquanto ministro. Ontem, por falta de concentração, deixou passar sua participação na Transnordestina, como autor da ampliação do traçado — que incluiu o Porto do Pecem na rota do pleito do pólo gesseiro de Araripina por trilhos para o Porto de Suape.

Aliás, Ciro poderia ter falado que a Transnordestina virou uma Transcearense; que está na estaca zero no marco zero, em Eliseu Martins no Piauí; que a CSN já movimentou 14,9 bilhões; que foi dispensada do trecho pernambucano; que recebeu um aditivo de 1,7 bilhão; que o Porto do Piauí está operacional, transbordando 110 mil toneladas de ferro para China, e dificilmente os piauienses vão abrir para o Ceará a exportação da soja do Piauí.

A rede do Elmano está melhor orquestrada. Os cabeças foram orientados a repetir mantras. Técnica boba em tempos de dialogia — onde não há mais o monopólio do emissor.

▫️De facto, não há como instalar um app de serenidade artificial no iPhone de um ex-radical da extrema-esquerda dicotômica.
▫️O debate mofou os favoritismos, como a maconha enterrada em Acopiara, estranhamente não citada no debate.

Norton Lima, Jr é jornalista

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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