Categorias: Opinião

“Para quem gosta, o luxo dessa aldeia é só isso mesmo” – Por Luiz Henrique Campos

Luxo da Aldeia. Foto: Divulgação

“O pré-carnaval não é fuga da realidade. É, na verdade, uma resposta a ela e aos que teimam em nos colocar uns contra os outros em disputas criadas para lhes garantir a sede de poder”, aponta o jornalista Luiz Henrique Campos

Confira:

Estamos a pouco menos de um mês do Carnaval, mas, para quem gosta da festa, o calendário oficial já ficou para trás faz tempo. O pré-carnaval tomou as ruas, os fins de semana e até o humor coletivo do país. Em Fortaleza, esse clima ganha contornos próprios. Festas públicas e privadas, blocos que andam, como diz o Maurição Lima, ou que concentram mas não saem (viva Marvioli), se espalham pela cidade, promovendo encontros improváveis e uma sensação compartilhada de que a alegria, mais uma vez, resolveu chegar antes.

O pré-carnaval cearense mostra, sobretudo, que a festa não é uma coisa só. Há opções para todos os gostos, públicos e bolsos — do bloco mais tradicional ao cortejo alternativo, do samba ao axé, do frevo às experimentações sonoras que misturam passado e presente. Essa pluralidade diz muito sobre a cidade e sobre o próprio Carnaval, que resiste justamente por ser múltiplo e inclusivo, principalmente neste ano em que a prefeitura de Fortaleza descobriu que existe vida para além das áreas nobres da cidade.

Mais do que ensaio para os dias oficiais de folia, o pré-carnaval cumpre um papel simbólico importante no Brasil de hoje. Em tempos marcados por polarização excessiva, ruídos permanentes e falsas verdades que intoxicam o debate público, a festa popular surge como um refresco necessário. Um sopro de ar puro que lembra que o convívio ainda é possível e desejável, mesmo diante das dificuldades do cotidiano já tão castigado do cidadão comum.

No meio da música, da dança e do riso fácil, o Carnaval e o pré, expõem um traço essencial do espírito brasileiro, que é a vocação para o encontro, para a empatia, para a celebração coletiva da vida, mesmo com todas as nossas dificuldades. É um espaço onde as diferenças não precisam virar trincheiras e onde a alegria não é vista como alienação, mas como resistência. Prova dessa assertiva é a espontaneidade da festa, pois se há blocos ou bloquinhos colossais, com suas mega estruturas, que cumprem o seu papel, há também muita folia e encanto nos que saem à rua apenas com bandinhas entoando os eternos hits de momo.

Nesse sentido, o pré-carnaval não é fuga da realidade. É, na verdade, uma resposta a ela e aos que teimam em nos colocar uns contra os outros em disputas criadas para lhes garantir a sede de poder. Ao ocupar as ruas com cores, sons e corpos diversos, a festa desmonta a lógica da discórdia alimentada por manipuladores de afetos e reafirma algo simples, porém poderoso. O Brasil profundo ainda prefere o abraço ao ódio, o diálogo ao grito, e a alegria compartilhada à tristeza fabricada, pois para quem gosta, o luxo dessa aldeia é só isso mesmo.

Luiz Henrique Campos é jornalista

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

Esse website utiliza cookies.

Leia mais