Categorias: Concurso

Plauto de Lima é semifinalista do maior concurso literário do mundo em língua portuguesa

O articulista de Blogdoeliomar, o coronel RR da PMCE e mestre em Planejamento de Políticas Públicas, Plauto de Lima, é semifinalista do maior concurso literário do mundo em língua portuguesa, o Prêmio Internacional Pena d Ouro.

Com a crônica “A dor que nasce do amor”, Plauto de Lima narra o sentimento da perda do pai.

São 26 cônicas finalistas que serão submetidas a jurados de nove países.

Os três primeiros colocados dividirão o prêmio de R$ 108 mil, além do autor da melhor crônica receber um troféu de aço, banhado a ouro.

Confira a crônica de Plauto de Lima:

“A dor que nasce do amor”

Foi na sexta-feira, dia 19 de setembro de 2025, que meu pai descansou. A partir desse momento nasceu em mim um sentimento que nunca havia experimentado antes. Um vazio, algo parecido a despencar de uma grande altura, tentando se segurar em alguma coisa, buscando sustento, mas encontrando apenas o vazio de todos os lados, tendo como única certeza o impacto final. E o impacto chegou: o corpo inerte, frio e apático, deitado em um caixão estreito, o leito derradeiro.

Ao meu lado, outras pessoas pranteavam comigo. O respeito e o carinho se manifestavam de várias maneiras: em um abraço afetuoso, num aperto de mão respeitoso, no encontro de olhares solidários, em palavras de conforto. Todavia o luto é íntimo, pessoal, e carrega uma dor difícil explicar de onde surge ou como se alivia.

Existem diferentes modalidades de dor. No caso do meu pai, que já estava em estado terminal na UTI, pedimos aos médicos que aliviassem a dor física. Entretanto quando falo de luto, não me refiro à dor que a morfina e outros anestésicos podem suspender. Refiro-me à dor como sentimento, essa que, paradoxalmente, é proporcional ao amor. Quanto maior o amor, maior a dor. Foi no luto que percebi essa antítese absurda. Portanto, o avesso do amor não é o ódio. O ódio é ausência de amor. A dor da perda, sim, é o excesso de amor.

Olhando para minha mãe, percebi que, mesmo contristada, ela se manteve serena. Creio que compreendia algo profundo: quando duas pessoas se casam, uma sempre terá de enfrentar a dor de perder a outra. Coube a ela viver esse momento. Recordo-me do ensinamento de C. S. Lewis: “A perda não é a mutilação do amor conjugal, mas uma de suas fases regulares, como a lua de mel.”

E como é forte o amor! Constatei isso quando entramos na UTI: eu, minha mãe e uma tia. Antes, a médica nos alertou que o corpo de meu pai já não tinha qualquer sensibilidade e não poderia mais realizar movimentos. Cientes disso, entramos naquela gélida sala, onde os leitos eram ocupados por moribundos.

Minha mãe se colocou à esquerda de meu pai e começou a conversar com ele. Acariciando-lhe o rosto, repetiu a promessa feita no altar. Então, para a surpresa dos profissionais de saúde, ele iniciou um movimento com imenso esforço. Talvez o maior de sua vida e, certamente, o último: ergueu os braços até conseguir repousar sua mão sobre a 4 da sua amada. Vi naquele gesto a mais pura homogeneidade espiritual do amor, fundido na decisão de duas vidas que escolheram caminhar juntas.

Aprendi, nesse luto, que todo relacionamento humano termina com dor. Esse é o preço do pecado, a extorsão de Satanás pelo privilégio do amor. É o nosso Getsêmani. É como se Deus se ausentasse para que sentíssemos um pouco daquilo que Seu Filho suportou na cruz.

Não sei exatamente o que acontece após a morte. Como cristão, creio na eternidade com Cristo. Contudo sei que ainda tenho muito a aprender. E aprendi recentemente com Lewis que “é difícil ter paciência com pessoas que dizem: ‘A morte não existe’ ou: ‘A morte não importa’. A morte existe. E tudo que existe importa. Tudo que acontece tem consequências, e tanto um como o outro são irrevogáveis e irreversíveis.”

Apesar da dor que o luto traz, ele também revela a grandeza do amor que vivemos. Se o impacto foi inevitável, o gesto da mão sobre a mão foi o meu paraquedas: prova de que o amor resiste ao abismo. Cada lágrima é a prova de que tivemos o privilégio de compartilhar a vida com quem tanto significou. Que essa ausência não seja apenas um vazio, mas um convite a continuar honrando a memória de quem partiu.

VAMOS NÓS – Nossa torcida por Plauto de Lima.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

Ver comentários (1)

  • Sua crônica é profunfa e bela, Plauto. Parabéns! Fico na torcida pelo primeiro lugar. Muito lindo o que você escreveu sobre o amor que vence o abismo. Tocante.

Esse website utiliza cookies.

Leia mais