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“Por que falham tanto os jornalistas sobre a agressão contra o Irã?” – Por Urariano Mota

Urariano Mota é jornalista e escritor,

Com o título “Por que falham tanto os jornalistas sobre a agressão contra o Irã?”, eis artigo de Urariano Mota, jornalista e escritor. “Tanto no cenário internacional quanto no do Brasil, repete-se a ofensiva da mídia contra a informação justa, digna, formadora de consciências”, expõe o articulista.

Confira:

Se lemos somente os textos da mídia dominante, somos levados a crer que Israel e os Estados Unidos fazem uma guerra de defesa contra poderoso inimigo, nesta ordem: pelos valores democráticos e pelo ameaçado território da pátria imperial. Então, primeiro, vemos a enganosa palavra “guerra”, em lugar de mortes de crianças pelo imperialismo, depois vemos “democracia” e “defesa do território”. Mas tudo antecedido e coberto pelo que chamam de luta contra a ditadura do Irã.

Outra coisa: não podemos concluir diante das notícias, no g1:“Os Estados Unidos estão vencendo [a guerra] de forma decisiva, devastadora e sem piedade. (…) Estamos batendo neles enquanto eles estão caídos. (…) Vamos continuar atacando o Irã até decidirmos que está bom, e o regime iraniano não poderá fazer nada sobre isso”, afirmou Hegseth”.

Ou na BBC Brasil: “’Teerã está sendo pulverizada e não há plano para o dia seguinte. Iranianos não querem sair para protestar enquanto mísseis caem do céu’, diz pesquisadora”.

Ou na Folha de São Paulo: “O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, general Eyal Zamir, disse nesta sexta-feira (6) que o ‘golpe de abertura’ foi dado, e que ‘estamos nos movendo para a próxima fase. Vamos intensificar os ataques à fundação do regime e às suas capacidades militares. Nós temos jogadas adicionais em nossas mãos’, afirmou. Nesta manhã de sexta, Israel disse que 50 de seus caças destruíram o que havia sobrado do bunker de Khamenei, ainda usado por autoridades, lançando cerca de cem bombas no local”.

Os jornais transformam a guerra num jogo de videogame. E a brincadeira de matar é esta: quem bombardear mais, que será “o nosso lado” deles, ganhará a guerra contra o terror do Irã. E no passo seguinte, já “vencemos”! Para o Irã, game over. Mas um game over para sempre. Como deseja o jornal O Globo: “Um Irã gravemente enfraquecido não intimidará nem ameaçará seus vizinhos da mesma forma, e o impacto regional poderá ser comparável ao colapso da União Soviética”. Tomara, ele quer dizer.

Se não lemos o Vermelho, o Brasil 247, o Jornal GGN, podemos ser levados a erro. Como bem escreve Davi Molinari no Vermelho: “Desde o início da ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em fevereiro (28), a cobertura da grande mídia ocidental tem se revelado uma extensão fiel da narrativa oficial da Casa Branca. Manchetes enviesadas e omissões sistemáticas dominam o discurso, enquanto vítimas civis são relegadas a números frios. Essa distorção reflete uma assimetria informativa que favorece Washington e Tel Aviv, diluindo responsabilidades por possíveis crimes de guerra. Um exemplo flagrante é o bombardeio da Escola Primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã, que matou entre 148 e 171 meninas. A ação é tratada pela imprensa ocidental como um ‘equívoco’ técnico — um ‘erro de alvo’ baseado em supostas falhas de inteligência —, em vez de uma denúncia explícita de massacre e violação ao direito internacional”.

E Luis Nassif, no Jornal GGN, nesta esclarecedora recuperação: “a CIA infiltrou centenas de jornalistas mundo afora para plantar narrativas, moldar opiniões e sufocar soberanias. No Brasil, o esquema ganhou solo fértil via institutos de fachada como o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que operaram como Estados paralelos de 1961 a 1971. Hoje, na cobertura sobre o Irã, a herança persiste: refinada, mas intacta. A estrutura de cooptação evoluiu em algoritmos e pautas globais, garantindo que o desejo do imperialismo seja lido sempre como ‘consenso global’ ”.

E José Reinaldo Carvalho no Brasil 247: “O poder global não se expressa apenas por meios militares, mas também por fatores econômicos, tecnológicos, diplomáticos e institucionais. Nesse contexto, a ascensão da China tornou-se um dos elementos mais marcantes das transformações em curso. Nas últimas décadas, o país registrou crescimento econômico acelerado, impetuoso desenvolvimento multidimensional, consolidando-se como uma das maiores economias do planeta e como potência central no comércio e nas cadeias produtivas globais. Paralelamente, ampliou sua presença diplomática e política em diversas regiões, fortalecendo sua assertividade e capacidade de influência no cenário internacional”.

Mas tanto no cenário internacional quanto no do Brasil, repete-se a ofensiva da mídia contra a informação justa, digna, formadora de consciências, o que os jornais renegam com ardor. Pelo contrário, divulgam notícias que podem confundir até mesmo jovens leitores, cidadãos ao lado do progresso. O que dizer dos “comentários”, da GloboNews, e da nova serpente do fascismo pátrio, Malu Gaspar, em O Globo? Queremos dizer, das montagens criminosas contra o ministro Alexandre de Moraes nas mensagens do celular de Vorcaro?

“Segundo blog de Malu Gaspar, de ‘O Globo’, banqueiro falou de negócios. Não é possível saber o que o ministro do STF respondeu porque as mensagens são prints do bloco de notas de visualização única. Defesa de Vorcaro criticou vazamento; ministro não se manifestou”. Você viram. Em mais de uma oportunidade, ou melhor, sempre, ela é a repórter que faz notícia da insinuação. A jornalista que transforma em verdade o que o seu veneno achar que é. Imagino o que ela diria dos casos que Jesus teria cometido na maior baderna sexual com os apóstolos. Num deles, Pedro beijou Jesus. O que seria o comentário da jornalista para o escândalo? Este: “Aí tem”.

Amigos, aqui termino. E pensar que comecei a manhã de hoje a escrever sobre os 99 anos do nascimento de Gabriel García Márquez. Mas o vazamento dos crimes da mídia não deixou.

*Urariano Mota

Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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