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“Por que nunca estivemos tão conectados e tão distantes?” – Por Cláudia Lordão

Cláudia Lordão é chefe do Cerimonial da UFC e Mestre em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “Por que nunca estivemos tão conectados e tão distantes?”, eis artigo de Cláudia Lordão, chefe do Cerimonial da Universidade Federal do Ceará e mestra em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior.

Confira:

Outro dia percebi algo estranho. Eu estava conversando com várias pessoas ao mesmo tempo, respondendo mensagens, vendo stories, reagindo a posts, e, ainda assim, senti um vazio difícil de explicar. Como se, no meio de tanta gente, não tivesse ninguém de verdade ali comigo. E acho que isso não acontece só comigo.

Nunca foi tão fácil falar com alguém. Em segundos, a gente manda uma mensagem, compartilha algo, responde qualquer coisa. A vida virou quase instantânea. E, ainda assim, parece que as conversas ficaram rasas, automáticas. Perguntamos “tudo bem?” sem esperar uma resposta sincera e respondemos “tudo” mesmo quando não está tudo bem.

Estamos o tempo todo disponíveis, mas nem sempre presentes. Às vezes, é mais fácil mandar um emoji do que explicar o que sentimos. Mais fácil curtir uma foto do que puxar uma conversa de verdade. E, sem perceber, vamos trocando profundidade por praticidade.

Não é que a tecnologia seja ruim. Ela aproximou muita coisa, e eu sou fã da tecnologia, sempre buscando tirar o maior proveito dela. Mas, talvez tenhamos desaprendido a nos conectar de verdade. A ouvir sem pressa. A estar ali, realmente, com alguém. Tem dias em que tudo o que precisamos não é mais uma mensagem, mas uma conversa que não acaba em dois minutos. De alguém que pergunta e realmente quer saber. De um silêncio confortável, sem notificação interrompendo.

Sinto muita saudade das tardes de café na casa da minha mãe e das minhas tias, regadas a tapioca e ao saboroso “pão sovado”, com muitas conversas, novidades e “fofocas”. E isso não é saudosismo, mas a constatação de que eram tempos mais felizes, de presença real e calor humano.

Existe uma diferença entre estar disponível e estar presente. Entre falar e se abrir. Entre ver e realmente enxergar. Transformamos conexão em quantidade, quando, na verdade, o que precisamos é de qualidade. Precisamos de
conversas sem pressa, de encontros sem distrações, de momentos em que o celular seja apenas um detalhe. E a cena mais comum hoje em dia é ver uma mesa inteira, cada um olhando seu celular, sem interação humana, sem olho no olho.

No fim, acho que a questão não é quantas pessoas estão na nossa lista de contatos, ou quantas curtidas uma postagem teve. É sobre quantas pessoas a gente sente que pode, de verdade, contar. Quem nos quer bem. Porque conexão não é estar online. É sentir, é presença, é sentimento, é ser visto.

*Cláudia Lordão

Chefe do Cerimonial da Universidade Federal do Ceará e mestra em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

Ver comentários (3)

  • Excelente e realista artigo. A vida das pessoas que vivem eternamente conectadas, não é a mesma das pessoas que ainda valorizam o presencial, como eu.

  • No artigo "Por que nunca estivemos tão conectados e tão distantes?", Cláudia Lordão reflete sobre o paradoxo moderno da hiperconexão digital. Apesar da facilidade de comunicação instantânea, as interações tornaram-se rasas e automáticas, gerando um sentimento de vazio e solidão acompanhada. A autora observa que trocamos a profundidade das relações pela praticidade de emojis e curtidas, perdendo a capacidade de ouvir e estar verdadeiramente presentes. Relembrando com saudade os encontros familiares do passado, ela ressalta que a verdadeira conexão não se mede pela quantidade de contatos ou interações online, mas pela qualidade da presença, pelo afeto e por sermos genuinamente vistos e ouvidos.

  • O artigo da Claudia é bem pertinente , a época atual....Concordo plenamente com os comentários acima.

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