“No dia 25 de outubro voltaremos às urnas para definir não apenas nomes, mas qual dos dois projetos políticos — e completamente antagônicos — governará o país”, aponta o historiador e ex-deputado estadual Artur Bruno
Confira:
Na reta final de campanha, cada palavra dita (e também as não ditas ou as ditas com relutância) pelos candidatos deve ser considerada com seriedade. Mas separar a propaganda da verdade exige discernimento, e o critério bíblico continua sendo o mais infalível: “Por seus frutos os conhecereis”. Na política, a história de cada candidato é o fruto real que revela a natureza da árvore.
Nesse sentido, Lula apresenta uma trajetória com entregas concretas ao país: o Brasil retirado do mapa da fome por duas vezes, os inúmeros programas sociais, a valorização real do salário mínimo, a revolução na educação pública com o Pé de Meia, o Fies e o Pro-Uni. Um projeto que sustentou a responsabilidade ambiental, abriu caminhos para o Microempreendedor Individual (MEI), combateu o endividamento das famílias e teve coragem para decretar o fim das Bets. Um projeto político que defende a dignidade do trabalhador com a redução da jornada e melhores condições de trabalho.
Flávio, por sua vez, é um parlamentar cujo currículo de entregas relevantes é um vazio absoluto, mas cuja trajetória é marcada por envolvimento com milicianos e escândalos com dinheiro público — de Queiroz e rachadinhas ao “irmanzão” banqueiro Daniel Vorcaro, R$ 134 milhões negociados e R$ 61 milhões pagos. O banco de Vorcaro, vale lembrar, teve seu principal ativo econômico constituído por fundo de previdência de estados e municípios. Dinheiro público investido majoritariamente por governantes do PL, o mesmo partido do candidato.
O banqueiro que ganhou o noticiário por seu farto envolvimento com todo tipo de picaretagem, como vocês sabem, segue preso. E é para ele que Flávio disse: “Estou e estarei contigo sempre”.
Flávio também foi contra, assim como o seu partido, o fim da escala 6×1 — mudou hoje, a 12 dias da eleição. Mas para não pegar mal com quem o financia, já falou até em reversão nos bastidores.
O Governo do pai do Flávio, é preciso sublinhar, legou ao Brasil a tragédia de 700 mil mortes na pandemia, estimando-se que mais da metade pela recusa em comprar vacina no tempo certo. Um projeto político armamentista, de desmonte nas políticas sociais, culturais, de gênero e de direitos humanos. Que passou a boiada, deixando rastro de tragédia e desmatamento. Um projeto político que não cabe na Constituição.
Que possamos refletir sobre o Sermão da Montanha: “Por seus frutos os conhecereis”.
Artur Bruno
Historiador, ex-deputado estadual e presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (Ipplan)