PRF faz mobilização nacional por criação do Fundo de Combate às Organizações Criminosas

Polícia Rodoviária Federal em clima de fiscalização de rodovias. Foto: Arquivo

Policiais Rodoviários Federais realizarão, a partir das 14 horas desta sexta-feira, uma mobilização em favor da criação do Fundo de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), iniciativa considerada estratégica para o fortalecimento da segurança pública federal e para o enfrentamento qualificado do crime organizado no país.

Os atos foram definidos após deliberação da Comissão de Mobilização da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) e se concentrarão em unidades da PRF em todo o país.

Além dos atos, está programada para a próxima semana uma interrupção de serviços que não estão legalmente previstos como atribuições da PRF, como as forças-tarefa voltadas ao combate de irregularidades no setor de combustíveis. A medida pode ocorrer justamente em um momento em que cresce, dentro do governo federal, a preocupação com uma possível greve nacional de caminhoneiros, mesmo após o atendimento da principal reivindicação da categoria: a garantia do cumprimento do piso mínimo do frete.

FUNCOC

A proposta de criação do fundo foi apresentada ainda na gestão do então ministro Ricardo Lewandowski e prevê a destinação de recursos para investimentos institucionais e valorização das forças de segurança da União. Atualmente, porém, o projeto de lei encontra-se paralisada no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Policiais Rodoviários e outras carreiras da segurança pública da União vêm alertando sobre a urgência em torno da criação do FUNCOC como uma forma de valorização pelo trabalho desenvolvido pelas forças policiais. Segundo os dados da PRF, entre 2023 e 2025, foram apreendidos: 2.109,4 toneladas de maconha; 124,6 toneladas de cocaína; 4.494 armas; 1.226.514 unidades de anfetaminas; e 107.333 m³ de madeira ilegal, resultando na detenção de 123.545 infratores.

“Os números da PRF evidenciam a dimensão do enfrentamento ao crime no Brasil: enquanto organizações criminosas movimentam cerca de R$ 350 bilhões por ano, o Estado investe menos de R$ 16 bilhões em segurança pública — é o dinheiro do crime sendo revertido contra o próprio crime, sem novos custos para o cidadão”, destaca o presidente da FenaPRF, Tácio Melo.

Outra preocupação da PRF é o tratamento isonômico que esperam que o Poder Executivo dê aos órgãos de segurança pública. “A Polícia Rodoviária Federal não aceitará tratamento desigual frente às demais carreiras policiais federais. Qualquer iniciativa relacionada ao FUNCOC ou à valorização das forças de segurança da União precisa contemplar a categoria de forma justa, sob risco de enfraquecer a coesão e a efetividade do sistema de segurança pública federal,” acrescenta Melo.

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