“Quando o Brasil se reconhece na festa” – Por Luiz Henrique Campos

Blocos de rua foram o destaque no pré-Carnaval de Fortaleza

Com o título “Quando o Brasil se reconhece na festa”, eis título da coluna “Fora das 4 Linhas”, assinada pelo jornalista Luiz Henrique Campos. “(…) o País entrou em modo de Carnaval antes mesmo do calendário oficial, como se o tempo social se antecipasse ao tempo formal. Nesse ambiente, algo raro e precioso se revela. Talvez um dos poucos momentos em que parte significativa da sociedade consegue, ainda que temporariamente, suspender a lógica da polarização que tanto tem marcado o cotidiano brasileiro”, expõe o colunista.

Confira:

Impossível não falar sobre o último final de semana do Pré-Carnaval, que confirmou aquilo que já vinha se desenhando nas semanas anteriores. A festa tomou conta das principais Capitais do País e espalhou um clima de celebração que ultrapassa fronteiras regionais, sociais e simbólicas. Das ruas de Salvador ao Recife, do Rio de Janeiro a Belo Horizonte, de São Paulo a Fortaleza, o País entrou em modo de Carnaval antes mesmo do calendário oficial, como se o tempo social se antecipasse ao tempo formal.

Nesse ambiente, algo raro e precioso se revela. Talvez um dos poucos momentos em que parte significativa da sociedade consegue, ainda que temporariamente, suspender a lógica da polarização que tanto tem marcado o cotidiano brasileiro. O espaço público, tantas vezes tensionado por disputas ideológicas e afetivas, passa a ser ocupado por corpos em festa, música, cores e encontros, produzindo uma experiência coletiva que reencanta a ideia de convivência.

Isso não significa a ausência de crítica. A sátira, a ironia e a crítica jocosa seguem como elementos estruturantes das manifestações de momo, preservando o caráter histórico do carnaval como espaço de comentário social e político. E é justamente essa liberdade simbólica, inclusive para criticar, que mantém a festa viva, plural e democrática, independentemente de preferências, posições ou alinhamentos. Mesmo as intempéries, como chuvas, falhas logísticas, imprevistos urbanos, são relativizadas diante do resultado final, que é a sensação coletiva de alegria, pertencimento e leveza. Nesse contexto, o que poderia ser obstáculo vira detalhe menor frente à experiência vivida.

Para além da dimensão cultural e simbólica, o Pré-Carnaval já se afirma como um potente vetor econômico. Indicadores do setor de turismo, comércio informal, hotelaria, transporte e serviços apontam crescimento expressivo, revelando que a festa não é apenas celebração. É também cadeia produtiva, renda, trabalho e circulação de riqueza, consolidando o pré-carnaval como fenômeno social completo, pois é cultural, simbólico, afetivo e produtivo. O Brasil, nesse aspecto, dança, canta, brinca, mas também trabalha, pois movimenta a economia e gera oportunidades, em um encontro perfeito entre festa e economia, revelando-se como expressão profunda da identidade e da vitalidade do país.

*Luiz Henrique Campos

Jornalista e titular da coluna “Fora das 4 Linhas”, do Blogdoeliomar.

Luiz Henrique Campos: Formado em jornalismo com especialização em Teoria da Comunicação e da Imagem, ambas pela UFC, trabalhei por mais de 25 anos em redação de jornais, tendo passando por O POVO e Diário do Nordeste, nas editorias de Cidade, Cotidiano, Reportagens Especiais, Politica e Opinião.

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