Com o título “Que nenhuma eleição custe uma amizade”, eis artigo de Leandro Vasques, advogado criminal, mestre em Direito Penal pela UFPE e doutorando em Criminologia pela Universidade do Porto, Portugal. ” Você tem todo o direito democrático de apoiar o candidato que lhe transmite maior confiança, e seu amigo igualmente. Respeite o seu semelhante e não permita que essa efêmera campanha eleitoral imploda amizades de décadas de existência, afinal, ainda conforme Quintana, “eles passarão, eu passarinho”, expõe o articulista.
Confira:
Mais uma campanha eleitoral se inicia, e o acirrado contexto político mostra-se terreno fértil para discussões que muitas vezes descambam para trocas de ofensas e avalanches de informações falsas. Há debates sérios e inadiáveis, notadamente quanto à segurança pública, diante da escalada inescondível do crime organizado. No entanto, o que vemos é uma atmosfera belicosa e vazia, principalmente nas redes sociais, nas quais circulam vídeos e textos de inconfessáveis autorias e intenções, muitos dos quais movidos pelo motor incansável das fake news.
As arenas dos conflitos politiqueiros se renovam a cada biênio, mas a exaltação de ânimo parece ter se tornado perene com uma polarização que, lamentavelmente, ainda viceja por estas bandas e alhures. Persistimos em uma espécie de “tudo ou nada”, um “oito ou oitenta” em torno das figuras públicas mais proeminentes.
Anos atrás cheguei a ser presidente estadual de um partido político e nesse cenário de ebulição eleitoral algo sempre me preocupa: as relações interpessoais, mais precisamente as amizades. Como poetizou Mário Quintana, a amizade é uma espécie de amor que nunca morre, e não deve ser vitimada por esgrimas partidárias.
Assim, é muito nocivo que pessoas se digladiem visceralmente por opiniões políticas, assim como por futebol. Os campos futebolísticos são mais propensos a embates apaixonados, afinal a opção por um determinado time, no mais das vezes, desafia a razão e resiste a toda e qualquer demonstração lógica. No entanto, o coliseu político hoje instaurado tem oportunizado o mesmo tipo de escaramuça, transbordante de furor e carente de bom senso. A autovigilância é boa conselheira nesses momentos.
Não se deixe contaminar. Você tem todo o direito democrático de apoiar o candidato que lhe transmite maior confiança, e seu amigo igualmente. Respeite o seu semelhante e não permita que essa efêmera campanha eleitoral imploda amizades de décadas de existência, afinal, ainda conforme Quintana, “eles passarão, eu passarinho”.
*Leandro Vasques
Advogado criminal, mestre em Direito Penal pela UFPE e doutorando em Criminologia pela Universidade do Porto, Portugal.