“Foi prometido uma política moderna de atração de investimentos, mas o que se tem é um plano diretor que afasta os investimentos imobiliários”, aponta o engenheiro Marcos C. Holanda
Confira:
Perto de completar seu primeiro ano de governo a prefeitura de Fortaleza não foi bem, como se fala queimou a largada.
Logo no início anunciou um ajuste fiscal que não aconteceu. A máquina administrativa continua inchada e se explica na logica fisiológica e não da boa gestão. Muitos cargos, pouca integração, poucos resultados. Nas finanças públicas a geração de poupança para financiar investimentos foi substituída pela contratação de empréstimos em um ambiente de juros altos. O risco são retornos incertos de investimentos realizados, mas custos certos no pagamento de juros e principal.
Foi prometido uma política moderna de atração de investimentos, mas o que se tem é um plano diretor que afasta os investimentos imobiliários em nome do romantismo climático. Nessa direção inventaram uma “floresta” na área do aeroporto e ameaçam romper um contrato com um grande investidor internacional. Enquanto nossa vizinha Recife comemora a centralidade de seu aeroporto e anuncia investimentos de mais de 600 milhões em um polo de logística aqui o proibimos. Aeroportos e cidades com as mesmas características econômicas e geográficas com políticas e estratégias de governo totalmente diferentes.
Foi prometido ônibus de graça, mas o que temos é o anúncio de um forte aumento das passagens. O pior é que mesmo com esse ajuste o serviço vai continuar limitado e ruim. Temos aqui um problema estrutural que deve ser encarado e que não vai ser resolvido apenas com reajustes de passagem. Enquanto isso o governo do estado continua gastando bilhões em um metro que nunca termina e que vai gerar resultados irrisórios diante das necessidades de transporte da população. Basta observar que o VLT que custou bilhões transporta em um mês a metade que o sistema de ônibus transporta em um dia.
A promessa era não aumentar impostos, mas o que temos é o aumento na base de contribuição do IPTU e as multas recorde da AMC. Os impostos crescem, mas onde estão os resultados na educação, saúde e segurança? Algum programa ou projeto novo que gere pelos menos expectativas concretas de melhorias?
No final temos a repetição do mesmo modelo dos governos federal e estadual. Muitos gastos, muitos impostos, muita dívida, poucos resultados. Uma economia onde empresas e população têm que sobreviver com juros altíssimos, onde se investe pouco e onde a perspectiva de crescimento sustentado e oportunidades de negócios são apenas ilusão.
Queimou a largada, mas ainda pode ganhar a corrida, mas se não quer trocar o carro pelo menos tem que trocar o motor.
Marcos C. Holanda é engenheiro, PhD em Economia e ex-presidente do BNB e do Ipece
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Ao me deparar com um artigo dessa natureza, que com notável facilidade exalta apenas um recorte conveniente da história, sou tomado por uma imediata sensação de fadiga. A análise de políticas públicas e de gestão governamental demanda atenção a uma miríade de variáveis interdependentes, pressupondo rigor metodológico, contextualização histórica e capacidade de leitura sistêmica. Não basta enumerar problemas de maneira linear, como se fossem autossuficientes e autoexplicativos. É necessário reconhecer avanços com a mesma acuidade com que se formulam críticas, sob pena de produzir um diagnóstico assimétrico.
Mais ainda, qualquer avaliação honesta do desempenho de uma gestão deve considerar o contexto de sua instalação. Trata-se, neste caso, de uma administração que se inicia sob significativo grau de ruptura com a predecessora, o que implica heranças institucionais, restrições orçamentárias, reconfigurações administrativas e inevitáveis custos de transição. Desconsiderar esse ponto de partida não é apenas uma omissão analítica. É uma distorção do objeto.
O resultado é um texto superficial. Em vez de qualificar o debate público, recorre a uma desqualificação pouco qualificada, perdoe o trocadilho, sustentada mais por retórica do que por evidências, e incapaz de produzir reflexão substantiva. Falta densidade empírica, falta explicitação de critérios e, sobretudo, falta disposição para lidar com a complexidade real que a cidade e o tempo político impõem.