Categorias: Artigo

“Realpolitik, Trump e o Brasil: Soberania à Prova” – Por Sabino Henrique

Sabino Henrique, ex-presidente do Sindjorce e advogado. Foto; Arquvo Pessoal

Com o título “Realpolitik, Trump e o Brasil: Soberania à Prova”, eis artigo de Sabino Henrique, jornalista e advogado. “Trump não impôs sobretaxas ao Brasil por razões morais, ecológicas ou comerciais isoladas, mas por cálculo geopolítico. Ao mirar exportações brasileiras – como o aço e o alumínio – buscava proteger setores americanos, agradar eleitores industriais do Cinturão da Ferrugem e pressionar países emergentes que ganham espaço no mercado global”, expôs o articulista.

Confira:

Realpolitik é um conceito surgido no século XIX que define uma prática política centrada em interesses concretos de poder, segurança e vantagem estratégica, em detrimento de valores ideológicos, éticos ou humanitários. É a política do possível, do pragmatismo duro, típica de líderes que priorizam resultados tangíveis frente a princípios universais.

É com essa lente que devemos observar a decisão do ex-presidente Donald Trump ao anunciar tarifas sobre produtos brasileiros em momentos estratégicos de sua gestão.

Trump não impôs sobretaxas ao Brasil por razões morais, ecológicas ou comerciais isoladas, mas por cálculo geopolítico. Ao mirar exportações brasileiras – como o aço e o alumínio – buscava proteger setores americanos, agradar eleitores industriais do Cinturão da Ferrugem e pressionar países emergentes que ganham espaço no mercado global.

Não se trata de um ataque direto à soberania brasileira, mas sim de uma ação legal dentro das normas internacionais – o que não a torna justa ou imune a críticas diplomáticas.

O governo Lula, herdeiro de uma política externa tradicionalmente altiva, respondeu com prudência. Manteve o tom diplomático, evitou confrontação direta, mas buscou articulação com parceiros internacionais para denunciar os desequilíbrios causados pela medida.

A grande imprensa brasileira, no entanto, variou entre o silêncio e a crítica seletiva, revelando sua dificuldade histórica de entender as nuances da geopolítica realista.

Já o empresariado, afetado diretamente, reagiu com preocupação, exigindo do governo respostas concretas para mitigar os prejuízos.

A soberania nacional, na prática, é a capacidade de um país tomar decisões autônomas sobre seu território, sua economia e seus rumos estratégicos, sem submissão a pressões externas. Para exercê-la de forma plena, o Estado precisa de quatro elementos essenciais: poder político estável, base econômica sólida, autonomia diplomática respaldada por alianças estratégicas e, de forma crucial, um poder militar eficiente e dissuasório.

Sem capacidade de defesa, não há soberania duradoura.

Nesse jogo de poder, o Brasil precisa mais do que indignação: necessita estratégia. Defender a soberania é mais do que rejeitar tarifas – é construir musculatura econômica, investir em ciência e tecnologia, modernizar suas Forças Armadas, ampliar sua presença comercial, proteger seus ativos naturais e estabelecer parcerias que respeitem sua autonomia.

O mundo é movido por interesses, e só os fortes são ouvidos. Realpolitik, afinal, não é sobre justiça – é sobre força.

*Sabino Henrique

Jornalista, advogado e editor do site direitoce.com.br.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

Esse website utiliza cookies.

Leia mais