Categorias: Artigo

“Reciprocidalismo – Seca à Vista” – Por Nizomar Falcão

Nizomar Falcão é PhD e engenheiro agrônomo da Ematerc.e

Com o título “Reciprocidalismo – Seca à Vista”, eis artigo de Nizomar Falcão, Ph.D e engenheiro agrônomo da Ematerce. “Para superar esse dilema, indicamos o Reciprocidalismo, sistema socioeconômico, alternativo ao capitalismo de Mercado e ao Assistencialismo do Estado…”0 expõe o articulista,
Confira:
Praticamente todos os serviços de Meteorologia, inclusive os profetas das chuvas, são unânimes em afirmarem que teremos uma quadra chuvosa abaixo da média histórica. Isso, naturalmente, deixa apreensivo todo o setor primário. O inconcebível, mesmo injustificável é que, em pleno século XXI, os produtores rurais tenham que viver essa angústia e insegurança, dado os avanços das ciências agrárias, em todos os aspectos. Essa perplexidade, evidencia que as políticas públicas preventivas falharam, muito por conta, do modelo de desenvolvimento em vigência.
Para superar esse dilema, indicamos o Reciprocidalismo, sistema socioeconômico, alternativo ao capitalismo de Mercado e ao Assistencialismo do Estado, com seus núcleos de reciprocidade e Irradiação de Tecnologias de Convivência com o Semiárido, na medida em que eles conseguem viabilizar (i) Segurança e Seguridade Social – A reciprocidade cria uma rede de amparo, porquanto as trocas criam redes de segurança informal. Em economias de alta vulnerabilidade, como as do Semiárido, o risco de perda é alto. A reciprocidade socializa o risco, impedindo que um único evento catastrófico (como uma seca-relâmpago) cause o colapso total de uma família; (ii) Acesso a Recursos e Trabalho (Mútua) – O trabalho é, por natureza, a mais essencial expressão do Reciprocidalismo, porquanto a mão de obra e os mutirões são extremamente pronunciados. A forma mais visível da reciprocidade é o mutirão. O trabalho pesado (plantio, colheita, construção de casas e benfeitorias, como cisternas etc.) são realizados coletivamente, sem pagamento em dinheiro, mas com a expectativa de que o beneficiado retribua a ajuda quando outro vizinho precisar; (iii) Fortalecimento da Identidade Comunitária – A identidade comunitária é o sentimento de pertencimento e conexão que os indivíduos sentem em relação a um grupo social, construído a partir de experiências compartilhadas, valores, história e tradições comuns. Ela se manifesta por meio de elementos como língua, costumes, símbolos e até mesmo a relação com um determinado espaço físico. Aspectos que ressaltam esses valores são a economia moral, e a cooperação e coesão, que promove e reforça os laços de vizinhança, essencial para comunidades rurais que enfrentam desafios ambientais e políticos comuns. O agrário filosófico, nesse sentido, é vivido mediante reciprocidade.
Em síntese, a reciprocidade é o capital social que garante a subsistência, a estabilidade e a capacidade de adaptação da agricultura familiar. Ela funciona como o sistema de seguros, crédito e mão de obra em uma única estrutura social. O Reciprocidalismo é o sistema que agrega e coloca em sintonia todas as nuances da vida comunitária.
*Nizomar Falcão
PhD e engenheiro agrônomo da Ematerce.
Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

Esse website utiliza cookies.

Leia mais