Pesquisa divulgada pelo Radar do Varejo Cearense, ferramento da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL), aponta: a inflação na Região Metropolitana de Fortaleza mostrou sinais de desaceleração em 2025, ao encerrar o ano com alta de 4,1%, segundo dados do IBGE.
O resultado ficou abaixo do registrado em 2024, quando o IPCA local alcançou 4,9%, indicando que os preços continuaram subindo, porém em ritmo mais moderado. O desempenho reforça a percepção de alívio gradual no custo de vida para os consumidores cearenses.
Segundo a análise por grupos de bens e serviços, a variação da inflação foi desigual ao longo do ano. Os maiores reajustes foram observados em “Saúde e cuidados pessoais”, com alta de 7,1%, seguidos por “Despesas pessoais”, que avançaram 6,6%. Já o grupo de “Alimentação e bebidas” apresentou aumento mais contido, de 3,0%, contribuindo para a desaceleração do índice geral.
No cenário nacional, o comportamento de outros indicadores reforça a tendência de enfraquecimento da inflação. O IGP-M, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou queda de 1,05% em 2025. Como o índice é amplamente utilizado como referência para reajuste de contratos, o resultado negativo sugere que o IPCA pode continuar desacelerando nos próximos meses.
“Os desafios permanecem, especialmente no que diz respeito ao endividamento e à inadimplência, temas que continuarão no centro das atenções em 2026. Ao mesmo tempo, a melhoria do ambiente inflacionário e a perspectiva de condições macroeconômicas mais favoráveis reforçam a expectativa de um ano mais equilibrado e propício ao fortalecimento da atividade econômica”, reforçou Freitas Cordeiro, presidente da Federação das CDLs do Ceará.
Inadimplência
Apesar do cenário inflacionário mais favorável, os dados de inadimplência acendem um sinal de alerta. Em 2025, o número de consumidores negativados no Ceará cresceu 11,5% em comparação com a última medição de 2024, acompanhando uma tendência observada também no restante do país, onde o avanço foi de 10,2%. Ao longo do ano, houve aceleração no ritmo de crescimento do indicador, refletindo as dificuldades financeiras enfrentadas por parte da população, segundo dados apresentados pelo SPC/Brasil e FCDL-CE.
O valor médio das dívidas em atraso no Ceará foi estimado em R$ 4.326,00 abaixo da média nacional de R$ 4.833,00. O perfil dos negativados mostra que 33,5% acumulam débitos de até R$ 500,00 enquanto 15,8% concentram dívidas superiores a R$ 7,5 mil. A expectativa é que, com a inflação mais controlada, os indicadores de endividamento e inadimplência recuem em 2026, abrindo espaço para a retomada gradual do consumo.