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“Respeite pelo menos os mortos” – Por Mário Mamede

Mário Mamede é médico e ex-deputado estadual

Convivi com o Ciro Gomes em momentos diferentes de nossas trajetórias políticas, ora em embates eleitorais (1989) como candidatos a prefeito de Fortaleza e como parlamentar de oposição ao seu curto governo (15 de março de 1990 a 1 de setembro de 1994). Mesmo como oposição havia um ambiente, compreensão e a maturidade de uma relação respeitosa. As discussões acontecidas se fizeram em torno de ideias e projetos.

Depois, no primeiro Governo Lula, sendo ele Ministro da Integração e eu Secretário Adjunto dos Direitos Humanos tínhamos assento à mesa de reuniões com o Presidente, ao mesmo tempo em que nos encontramos em várias oportunidades. De lá para cá não mais aconteceram contatos e cada um tomou o seu caminho.

Como cidadão atento aos acontecimentos políticos, venho assistindo a pouco compreensível e nada elogiável desvio de rumo que este senhor deu a sua trajetória política. Na permanente busca messiânica de poder, acercou-se do que há de mais atrasado e desqualificados agentes de uma direita agressiva e que se colocam como autênticos quadros bolsonaristas.

Na sua eloquente retórica, justificando as novas parcerias, diz que seus bolsonaristas são pessoas de bem, honestas, como se tais existissem. Fala também que sua aliança é complexa, com incoerências e muitas diferenças, mas se faz necessária faz botar o PT para fora, como se o governo do Ceará fosse só de petista e não resultado de uma coalizão de partidos.

Como tais argumentos são ridículos e insuficientes, parte para a agressão, conhecida característica de seu comportamento e não tem pudor de falsear a verdade , ou seja, usar da mentira para justificar o injustificável.

Ao rebater Elmano de Freitas por ter feito uma crítica aos modos com que ele agrediu à categoria médica crítica verbalizada na saída do auditório do IJF.

Em 1992 estava em curso uma greve da categoria médica quando esses profissionais ameaçaram um pedido de demissão coletiva. Em resposta, Governador Ciro disse de maneira clara e bem audível – “médico é como sal… branco, barato e se encontra em qualquer esquina”. E disse mais que passaria a contratar médicos de estados vizinhos.

O Presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará – SIMEC, o saudoso Francisco Monteiro saiu em defesa da categoria médica mas dentro do estilo que lhe caracterizava usando uma linguagem educada. No entanto a tréplica do Sr. Ciro veio com mais agressividade e foi mais desrespeitosa, dizendo que o Chico Monteiro só tinha perfil para ser presidente do sindicato dos carneceiros, atingindo preconceituosamente também a dignidade desses trabalhadores.

Querer agora inverter a história e atribuir ao Chico Monteiro uma citação de sua autoria é uma irresponsabilidade, além de incoerente e desprovida de honestidade.

Ciro Gomes é esse candidato que, em busca de seus objetivos e em sua onipotência e prepotência, se acha no direito de agredir qualquer opositor, qualquer pessoa que ousem fazer uma crítica a ele, as suas ideias e práticas políticas. E mais, mostrou agora que não tem respeito nem pelos mortos.

EM TEMPO – Chico Monteiro, meu amigo-irmão , aonde você esteja receba meu mais afetuoso abraço e novamente o meu agradecimento pelo muito que você contribuiu para as políticas de saúde, pela construção do SUS, na luta contra a ditadura e em defesa da democracia. Esteja em paz.

Ninguém vai manchar o seu nome nem a sua história

Mario Manede
Médico e ex-deputado estadual

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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