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“Saberes e memórias da consciência negra e seus impactos na comunicação intercultural” – Por Antonio Souza

Antonio Souza é psicólogo, mentor e palestrante

“Comunicar a partir da consciência negra é adotar uma postura ética que acolhe as diferenças, constrói pontes e transforma o diálogo em ferramenta de reparação histórica”, aponta o psicólogo Antonio Souza

Confira:

Em um país moldado pela diversidade, comunicar é mais do que falar: é reconhecer o outro como portador de história, dignidade e existência. No Brasil, essa reflexão ganha profundidade ao entendermos que a identidade nacional só se tornou possível graças à presença e à contribuição da população negra. A cultura afro-brasileira não é apenas um capítulo da nossa história — é raiz, tronco e fruto de grande parte do que chamamos de brasilidade. Música, religiosidade, estética, linguagem e modos de convivência são marcados por heranças que resistiram ao apagamento e continuam a inspirar formas mais humanas de relação.

Sob a perspectiva da Psicologia Humanista e da Psicologia Positiva, sabemos que vínculos saudáveis florescem quando há escuta, respeito e validação. No campo da comunicação intercultural, esse entendimento revela algo essencial: reconhecer a trajetória do outro é abrir espaço para relações mais verdadeiras e menos violentas. Comunicar a partir da consciência negra é adotar uma postura ética que acolhe as diferenças, constrói pontes e transforma o diálogo em ferramenta de reparação histórica. É admitir que a presença negra no Brasil ultrapassa o aspecto demográfico — ela é intelectual, emocional, espiritual, econômica e cultural, estruturando tudo o que construímos enquanto sociedade.

A comunicação que honra a ancestralidade é um ato político e humano. Ao afirmar “eu vejo você”, reconhecemos legados, dores, resistências e conquistas que moldaram o país. Fazer isso não é concessão: é responsabilidade. Em um contexto onde vozes negras foram silenciadas por séculos, comunicar com consciência significa devolver lugar, memória e protagonismo. A cultura negra nos ensina que comunicar é existir com verdade, amar com profundidade e resistir com coragem. Que possamos, como sociedade, praticar uma comunicação que liberte, una e fortaleça identidades — construindo, enfim, o Brasil justo, plural e digno que merecemos viver.

Antonio Souza é psicólogo, mentor e palestrante

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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