Categorias: Artigo

“Secas-Relâmpagos” – Por Nizomar Falcão

Nizomar Falcão é engenheiro agrõnomo da Ematerce. Foto: Arquivo Pessoal.

Com o título “Secas-Relâmpago”, eis artigo de Nizomar Falcão, Ph.D e engenheiro agrônomo da Ematerce. “As secas-relâmpago são um desafio para a Assistência Técnica e a Extensão Rural (ATER), visto que a velocidade do fenômeno exige uma resposta, tão imediata, que as estruturas tradicionais da ATER têm dificuldade em fornecer”, expõe o articulista.

Confira:
Um dos grandes desafios para os agricultores familiares do semiárido, com as mudanças climáticas, é o aumento da intensidade de eventos conhecidos como “secas-relâmpago” ou veranicos. O impacto das secas-relâmpago (flash droughts) na agricultura familiar do semiárido é severo e representa uma ameaça de alta intensidade à produção de alimentos e à resiliência das comunidades rurais. Diferente das secas convencionais, que se instala lentamente, secas-relâmpago ocorre, repentinamente, pegando os produtores desprevenidos e colapsando as culturas em desenvolvimento. O mecanismo e o dano das secas-relâmpago se caracterizam pela combinação rápida de déficit de precipitação com aumento súbito e intenso das temperaturas e baixa umidade do ar. O dano mais crítico ocorre na agricultura de sequeiro (dependente da chuva), que é o pilar da subsistência da agricultura familiar em várias dimensões: (a) Destruição das Culturas na sua Fase Crítica.
A seca-relâmpago geralmente ocorre após um período inicial de chuvas que estimula o plantio. Quando a chuva cessa abruptamente e o calor dispara, as plantas (como milho e feijão), que estão em estágios de rápido crescimento ou floração (especialmente), não têm tempo para se adaptar e definham rapidamente; (b) Perda Total da Safra – Em poucas semanas, a lavoura é perdida. Como o evento ocorre no início da estação, o agricultor familiar gasta suas sementes e o tempo de plantio sem obter colheita, comprometendo a segurança alimentar do ano; (c) Déficit na Forragem – A pastagem natural e a forragem cultivada (alimento para o rebanho) secam rapidamente, forçando o produtor a gastar suas reservas ou a vender o gado a preços baixos, impactando o único ativo de capital da família.
O padrão rápido e a imprevisibilidade das secas-relâmpago desafia os modelos tradicionais de gestão de seca e a credibilidade das políticas públicas, na medida em que surpreende os produtores rurais pelo (e) Esgotamento Rápido das Reservas Hídricas – Mesmo as cisternas e barreiros (tecnologias sociais de resiliência) podem ser rapidamente esgotados, pois a ausência de chuvas de recarga se estende, enquanto a demanda por água aumenta devido ao calor e (f) a Ineficácia dos Prognósticos Climáticos que dificilmente consegue prever, tais fenômenos. Os prognósticos climáticos de longo prazo, nos quais se baseiam as políticas públicas, podem não ser capazes de prever a localização e a intensidade exata de uma seca-relâmpago, expondo o agricultor ao risco após o plantio.
As secas-relâmpago são um desafio para a Assistência Técnica e a Extensão Rural (ATER), visto que a velocidade do fenômeno exige uma resposta, tão imediata, que as estruturas tradicionais da ATER têm dificuldade em fornecer.
Em síntese, as secas-relâmpago são sintomas do agravamento das condições climáticas, exigindo que a agricultura familiar adote, não apenas práticas de conservação de água, mas também sistemas de alerta e seguros agrícolas mais ágeis e adaptáveis à nova realidade de extremos climáticos; condições que exigem assistência técnica, continuada e de qualidade aos produtores rurais.
*Nizomar Falcão
PhD e engenheiro agrônomo da Ematerce.
Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

Esse website utiliza cookies.

Leia mais