“Lancelotti representa, por aqui, uma cópia cristã. Enquanto tem pastor pedindo até dinheiro, pra aquisição de avião, Padre Júlio está lá, em Sampa, levando comida, cobertor e carinho, para pobres desvalidos, desgraçados sociais”, aponta o professor João Teles de Aguiar
Confira:
No meu tempo de menino/Menino, Semana Santa/Não podia fazer arte/Ou subir em uma planta/Pentear nosso cabelo/Ou xingar a governanta!//Bater asas, se danar/Ou correr pela ribeira/Beliscar um passarim/Falar mal da cozinheira/Coisas que, pra onde em dia/Não passam de uma besteira!//Tinha era que ficar/Bem parado e muito teso/Nada de comer demais/(Não tinha essa de peso)/Correr na rua, demais?/Poderia até era preso!
Essas (minhas) estrofes representam parte do que vivi (e muita gente viveu), nos Dias Grandes. A meninada era obrigada, pelos pais e pela tradição, a ficar quieto, sem fazer danação. Era um modo de respeito, pelo Nazareno e sua linda e fantástica história, além de todo o seu sofrimento. Era uma maneira dizer “muito obrigado, Senhor!”, por tudo o que ele representou, pra nós, na Terra.
O poema diz, sem dizer, que Cristo foi um personagem forte e poderoso. Tanto pelas ações práticas, como pelo exemplo de homem caridoso e afetivo.
Hoje, no Brasil, vejo, apesar de tanta crítica a ele, oriunda (mais) da politicagem, o padre (SP), Júlio Lancelotti, como um exmplo de caridade e bondade; Lancelotti representa, por aqui, uma cópia cristã. Enquanto tem pastor pedindo até dinheiro, pra aquisição de avião, Padre Júlio está lá, em Sampa, levando comida, cobertor e carinho, para pobres desvalidos, desgraçados sociais, que o neoliberalismo tão bem constrói.
Desse modo, vai fazendo sua parte, diante de um repleto de omissões e senões. Como está em Mateus 22:37… Jesus define: “Amar o próximo como a ti mesmo” (v. 39), como o segundo maior Mandamento, semelhante ao primeiro, de amar a Deus sobre todas as coisas.”
Isso, no cotidiano prático, é lindo e deveria ser uma coisa muito nossa; mas não é, infelizmente.
Nas ruas e sinais de trânsito tem muita gente pedindo uma ajudinha, porque não tem em casa; se tivesse, não estaria ali, pata tirar fotos e ganhar likes, na Internet. Se a maioria de nós fosse cristã, muita gente passaria menos fome ou não estaria nas ruas e avenidas, implorando pela caridade alheia, querendo uma solidariedade, de gente que, muitas vezes, sequer a vidro do carro baixa, o que é absolutamente condenável.
João Teles de Aguiar
Professor, historiador e integrante do Projeto Confraria de Leitura