Uma observação feita pela equipe de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) do SESI Ceará, em Sobral (Zona Norte), ganhou dimensão internacional e colocou o trabalho entre os concorrentes ao I Prêmio Internacional da Ergonomia Científica, que será realizado em 7 de novembro, durante as celebrações dos 30 anos da metodologia OCRA.
O estudo identificou uma condição postural específica de entregadores motociclistas que não era contemplada pelos critérios existentes do método Ergotacos e contribuiu para a atualização da ferramenta.
Intitulado “A Aplicação do Método Ergotacos na Avaliação Ergonômica de Entregadores Motociclistas: Contribuição para Ampliação dos Critérios de Análise Postural”, o trabalho foi desenvolvido pelos profissionais Diana Marques, enfermeira do Trabalho com foco em ergonomia, e Wilson Vieira Marinho, técnico em Segurança do Trabalho com foco em ergonomia, ambos do SESI Ceará em Sobral. O estudo contou ainda com o apoio técnico de Thays Mendes Diogo, analista de serviços em Ergonomia do SESI Parangaba, em Fortaleza.
Origem do projeto
O projeto nasceu durante uma avaliação ergonômica realizada pela equipe de SST em uma empresa de Sobral que possui trabalhadores que atuam como entregadores motociclistas. Ao observar a atividade e aplicar conjuntamente os métodos OCRA e Ergotacos, os profissionais perceberam que havia uma particularidade na postura dos trabalhadores que não se encaixava completamente nos critérios existentes da ferramenta. “O motociclista está sentado, mas também está montado na moto, sem apoio nas costas, mantendo o equilíbrio o tempo todo e sujeito à vibração. Foi aí que percebemos esse ponto que não estava bem representado na metodologia”, explica Diana Marques.
A partir dessa percepção, a equipe passou a estudar como aquela condição poderia ser analisada de forma mais adequada. Diferentemente de uma postura sentada convencional, o motociclista precisa manter o equilíbrio durante a condução, controlar o guidão e realizar ajustes posturais continuamente, além de estar exposto às vibrações e aos movimentos próprios da atividade. Visando fortalecer e ampliar o espaço amostral da investigação, a equipe analisou outros casos e cenários, com outras ferramentas, ampliando as possibilidades de discussão e legitimando possíveis oportunidades de melhoria no método vigente.
Para Wilson Vieira Marinho, o diferencial do trabalho foi transformar uma situação observada em campo em uma questão para a ergonomia científica. “Quando aplicamos o OCRA junto com o Ergotacos, percebemos que não encontramos apenas um risco ergonômico. Encontramos um ponto que não estava contemplado na ferramenta. O motociclista está sentado, mas não é uma postura sentada convencional”, afirma.
Capacidade técnica
Para o engenheiro coordenador de Segurança e Saúde do Trabalho do SESI Ceará, Bertran Rodrigues, a participação no prêmio internacional evidencia a capacidade técnica da instituição e a importância da produção de conhecimento a partir das demandas encontradas nas empresas. “O SESI Ceará realiza análises ergonômicas e estudos voltados à adequação normativa, à prevenção e à qualidade de vida dos trabalhadores. Uma contribuição como essa demonstra a capacidade técnica dos nossos profissionais e representa um importante case para o avanço dos estudos em ergonomia”, afirma.
Segundo Bertran, o conhecimento produzido também fortalece os serviços oferecidos pelo SESI Ceará às empresas e amplia as possibilidades de prevenção em diferentes atividades profissionais. “Os resultados podem beneficiar setores em que existem movimentos repetitivos e exigências biomecânicas, como linhas de produção, operações logísticas, manufatura, montagem e diversos processos industriais e de serviços”, explica.