“Sustentabilidade ambiental, combate a pobreza, educação popular e ciência: conexões para um futuro justo e equilibrado”, aponta o advogado Vanilo de Carvalho
Confira:
A sustentabilidade ambiental é um dos pilares fundamentais para o equilíbrio da vida no planeta. Ela vai além da preservação dos recursos naturais: implica um modelo de desenvolvimento capaz de atender às necessidades presentes sem comprometer as gerações futuras. Nesse sentido, há uma relação direta entre sustentabilidade, combate à pobreza, educação popular e avanço científico. Juntas, essas dimensões formam um ciclo virtuoso capaz de transformar sociedades e promover justiça social e ecológica.
O combate à pobreza e a sustentabilidade caminham lado a lado. A degradação ambiental atinge com mais intensidade as populações mais vulneráveis — aquelas que dependem diretamente da natureza para sobreviver. Quando rios são poluídos, solos se tornam improdutivos ou o clima se torna instável, são os mais pobres que sofrem primeiro e com mais gravidade. Por outro lado, práticas sustentáveis podem gerar oportunidades econômicas e sociais. Projetos de agricultura familiar agroecológica, por exemplo, fortalecem comunidades rurais, aumentam a renda e preservam os ecossistemas. É o caso de iniciativas no Brasil, em partes da África e da Ásia, onde cooperativas locais têm transformado a produção agrícola em meio de vida digno e ambientalmente equilibrado.
A educação popular é outro elo essencial nesse processo. Ela possibilita que as comunidades compreendam seu papel na preservação ambiental e na defesa de seus territórios. Inspirada em princípios de participação e consciência crítica — como os de Paulo Freire —, a educação popular promove o conhecimento coletivo e o empoderamento das populações para agir em favor de um futuro sustentável. Quando as pessoas compreendem o valor da água, da terra e da biodiversidade, passam a lutar por políticas públicas mais justas e pelo uso responsável dos recursos.
A ciência, por sua vez, fornece as bases técnicas e teóricas para que essas transformações se concretizem. O desenvolvimento de tecnologias limpas, energias renováveis e métodos de produção sustentáveis é resultado direto da pesquisa científica. Países que investem em ciência e educação tendem a alcançar índices mais altos de sustentabilidade ambiental e de qualidade de vida. Um exemplo positivo é a experiência da Dinamarca e da Alemanha, que conseguiram reduzir drasticamente suas emissões de carbono e estimular economias verdes com base em inovação científica e compromisso social.
Entretanto, o cenário mundial também apresenta exemplos negativos. Em diversas regiões, o desmatamento, o uso predatório de combustíveis fósseis e a falta de políticas sociais eficazes têm intensificado tanto a degradação ambiental quanto as desigualdades. A exploração da Amazônia, em ritmo acelerado, compromete não apenas a biodiversidade, mas também o sustento de comunidades tradicionais. Na África subsaariana, a pobreza extrema combinada à escassez de água e à desertificação cria um ciclo de dependência e vulnerabilidade que a ausência de políticas públicas agrava.
Em contraste, países que compreenderam a integração entre sustentabilidade, ciência e educação têm mostrado caminhos promissores. Costa Rica, por exemplo, é referência mundial em reflorestamento e preservação ambiental, tendo conseguido conciliar o crescimento econômico com o uso racional dos recursos naturais. Essa experiência demonstra que é possível erradicar a pobreza e gerar desenvolvimento sem destruir o planeta.
Em síntese, a sustentabilidade ambiental não pode ser pensada isoladamente. Ela depende de uma visão integrada, que una justiça social, acesso ao conhecimento e compromisso científico. O futuro sustentável exige uma mudança cultural e política profunda: uma educação que forme cidadãos conscientes, uma ciência comprometida com a vida e uma economia que valorize a dignidade humana. Somente assim será possível construir um mundo em que a preservação ambiental e o combate à pobreza deixem de ser metas separadas e passem a ser partes de um mesmo projeto civilizatório.
Vanilo de Carvalho é advogado, escritor e Mestre em Negócios Internacionais