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“Tesão rima com eleição”

Francisco Caminha, cronista e ex-deputado. Foto: ALCE

Na década de 80, ele como representante de um renomado laboratório multinacional fora trabalhar por um período de 45 dias em Belém, capital do Pará. A tarefa era sempre a mesma, visitar os consultórios com intuito de apresentar aos médicos as propriedades dos medicamentos e recomendar que profissional o receitasse os fármacos entregando-lhe algumas amostras grátis.

Acontece que ele após duas semanas lá na “secura”, ficou ansioso para se aliviar. A isso os homens coloquialmente denominam de “gala seca”. Não era dado a ter sexo pago em bordeis, preferia viver a adrenalina da conquista para premiar sua virilidade. Desprovido de moralidade, ele me contou suas aventuras como quem diz: eu sou foda.

Reservou no hotel de luxo que estava hospedado uma sala com fins de realizar entrevistas. Mas, antes publicar este anúncio no jornal de maior circulação da cidade.

EMPRESA MULTINACIONAL
SELECIONA JOVEM SECRETARIA EXECUTIVA. REMUNERAÇÃO VANTAJOSA, INCLUI PLANO DE SAÚDE, DIVISÃO DE LUCROS E 14 SALÁRIOS ANUAÍS. ENTREVISTA NO SALÃO VERDE DO HOTEL HOLIDAY INN NESTA CAPITAL. SOMENTE NESTE SÁBADO. DAS 8 HORAS ATÉ MEIO DIA. LEVAR CURRÍCULO. INFORMAÇÕES NA RECEPÇÃO.

E foi assim me relatou a peripécia:

– Caminha quando chegou o sábado, cedo fiquei surpreso com a fila de mulheres gostosas me esperando para as entrevistas. Quando alguma não me interessava eu não perdia tempo. Perguntava se ela falava japonês porque a empresa era japonesa e dispensava a garota.

E assim ele se gabou, pois em vez de ir atrás de mulheres, elas vieram até ele. Selecionou duas que teve mais química e outras informou em 20 dias sairia o resultado da seleção. Conseguiu depois sair com mais uma depois sumiu ao voltar para Fortaleza.

Anos depois, ele se candidatou a vereador e usou dessa mesma estratégia, dessa vez para adquirir votos. Eu estava no gabinete quando três assessoras minhas vieram relatar que viram no jornal o seguinte anúncio:

CLUBE DA AMIZADE

VENHA FAZER NOVOS AMIGOS. QUEM SE INSCREVER SERÁ OFERECIDO UM JANTAR GRÁTIS.
VAGAS LIMITADAS.
FAÇA LOGO SEU CADASTRO E RESERVA NO TELEFONE : 85 XXX XXX XXX. ENDEREÇO: XXXXX

As três se animaram para ir, duas divorciadas e uma solteira. Recomendei que tivessem cuidado, mas elas já haviam checado antes o endereço, era em uma bela casa no chique bairro do Dionisio Torres e a animadas foram. Na segunda-feira, chegaram rindo e me contaram que tudo fora maravilhoso, houve o jantar gratuito e tinha cerca de 200 pessoas. Só que era na casa dessa meu colega agora candidato a vereador. Ele fazia sistematicamente esses jantares para atrair eleitores e ainda exibia números de mágica e hipnose. A isca era o Clube da Amizade.

Era uma época que não existia a internet, os jornais, as rádios e as televisões eram a fontes das notícias. Pois, nessa mesma campanha eleitoral ainda se permitia brindes. Ele importou 6.000 relógios chineses bem baratos para entregar os eleitores nos dois dias antes do pleito e no “D”. Na segunda-feira após a eleição, minha doméstica chegou em casa dizendo assim:

– Seu Caminha, minha vizinha me deu esse relógio para votar no candidato dela. Lá na rua quase todo mundo recebeu. Acontece que o meu parou no dia seguinte. O pessoal tá dizendo que os relógios começaram a pifar depois das eleições. Apurado os votos ele foi eleito com facilidade.

Eu já vi de tudo em campanha eleitoral. Uma vez perguntei a um deputado o que era permitido na campanha. Assim me respondeu: em eleição, pode tudo, só não vale uma coisa: perder as eleições.

Lembro que o Morais, professor de cursinho imitar o cantor Vando. Elegeu-se deputado federal e uma das suas táticas foi encomendar a confecção de milhares de calcinhas femininas com o nome e número dele impresso na frente. A peça fez muito sucesso na periferia da cidade. Já presenciei em boca de urna a distribuição de caixinhas de fósforos com o adesivo do candidato colado no rótulo. Só que dentro em vez dos fósforos, dinheiro mesmo. Vi distribuição de camisinhas de vênus com o adesivo do candidato cobrindo a marca. Presenciei minha vó votar três vezes numa eleição com títulos de pessoas mortas. Lembro ela dizer assim: aqui na Jaguaruana os mortos também votam.

Fica a lição: vale tudo, só não vale perder.

Francisco Caminha é ex-deputado estadual

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