“Tricentenária acolhedora” – Por Valdélio Muniz

Valdélio Muniz é jornalista. Foto: Divulgação

Com o título “Tricentenária acolhedora”, eis artigo de Valdélio Muniz, jornalista, analista judiciário, mestre em Direito Privado, professor de Processo do Trabalho e membro do Grupo de Estudos em Direito do Trabalho (Grupe) da UFC. Ele também comemora os 300 Anos de Fortaleza.

Confira:

O tricentenário da capital cearense merece, indubitavelmente, ser celebrado por todos(as) nós que nascemos aqui e também por todos(as) que aqui escolheram viver. E não se trata, de modo algum, de ignorar os problemas enfrentados cotidianamente por uma cidade de mais de 2,5 milhões de habitantes inserida no contexto de um país continental e
diverso como o Brasil.

Assim como temos nossos problemas pessoais, familiares, profissionais, econômicos etc e nem por isso deixamos de celebrar nosso aniversário, a cada ano, cada um ao seu modo, permitamo-nos comemorar esta data especial na história de nossa cidade como momento de celebrarmos tudo de bom que ela proporciona a quem a vivencia na sua
intensidade.

Sim, Fortaleza nos dá motivo para desapontamentos (desigualdade econômica e social, violência, trânsito caótico etc), mas também nos traz orgulho por refletir o tanto que somos em termos de felicidade, bom humor, acolhimento e beleza. Uma cidade vibrante e que expõe em sua movimentação (diurna e noturna) quão eclética e dinâmica ela é.

Desde o corre-corre de seus habitantes pela sobrevivência, ainda antes do amanhecer, nas periferias, rodovias, paradas de ônibus, terminais de transporte urbano e nos comércios do Centro e em tantos polos descentralizados de rua e de shoppings, há uma vitalidade que revela quão guerreiro é seu povo, determinado e consciente da missão a cada um confiada.

Assim também, há de se destacar a movimentação noturna que lota bares e restaurantes de ponta a ponta desta imensa cidade, que faz ecoar em mesas cheias de famílias e amigos a alegria de compartilhar e agradecer conquistas pessoais e renovar esperanças de que outras tantas ainda estão por vir, fazendo também deste momento oportunidade de emprego e renda para outros(as) moradores(as) e palco para revelação de tantos talentos (musicais e de humor).

Uma cidade que concilia diferentes manifestações de fé, religiosidade e crenças com o respeito inclusive à ausência dela por quem tem outros modos de (não) viver sua espiritualidade e ser feliz ao seu modo.

E também uma cidade que abre seus braços para acolher milhões de turistas e permitir que eles levem daqui boas lembranças de tudo que enche seus corações (afeto, calor humano) e seus olhos (sobretudo paisagens naturais e uma orla encantadora), uma gastronomia que ecoa a riqueza dos nossos recursos naturais e a criatividade de um povo e
um humor que sintetiza nosso espírito e convida a todos a se desarmarem e descobrirem o bem que é sorrir.

Como parte de uma tradição que é bem cearense, temos profissionais de diversas áreas do conhecimento, das artes, da administração e de tantos outros setores que se tornam referências nacionais e que fazem, muitas vezes, das suas histórias de dificuldades, mas, também de resiliência, motivo de orgulho ao nosso povo e exemplo de superação e
motivação.

Sim, comemorar 300 anos é uma oportunidade ímpar, repito, não de esquecermos o quanto ainda precisamos e podemos melhorar como cidade (e cidadãos!), mas, sobretudo, de direcionarmos nosso olhar, nosso orgulho e gratidão por tudo que temos e somos e, também, pelo que inspiramos a tantos outros com nosso jeito peculiar de encarar o mundo e a vida, com todos os encantos e desafios que nos são postos (individuais e coletivos).

Que esta fortaleza que há em Fortaleza se perpetue por muito mais do que outros tantos 300 anos, adaptando-se às transformações que o tempo exige, mas sem perder jamais toda esta essência que torna nossa cidade e nossos cidadãos tão especiais.

Parabéns, Fortaleza! Parabéns, fortalezenses! Parabéns a todos(as) que aqui residem e também aos que nos escolhem como passeio. Esta festa é de todos(as)!

*Valdélio Muniz

Jornalista, analista judiciário, mestre em Direito Privado, professor de Processo do Trabalho e membro do Grupo de Estudos em Direito do Trabalho (Grupe) da UFC.

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