Com o título “Trump, a esculhambação da Copa e a memória sobre o Brasil”, eis comentário feito pelo jornalista Érico Firmo, em sua coluna no O POVO desta terça-feira.
Confira:
A realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos se converte em desmoralização do torneio e humilhação para a Fifa. O que se passa é inacreditável. Árbitro e membros de comissão técnica foram impedidos de entrar e atletas ficaram horas retidos. A delegação de uma seleção participante, o Irã, foi impedida de permanecer no País.
É o tipo de situação capaz de desequilibrar uma competição. Imagina se um governo resolve proibir a entrada de jogadores e desfalcar um adversário no campeonato que sedia. Porém, agora foi para dentro de campo, diretamente. O presidente Donald Trump interveio para anular a suspensão de Balogun, por cartão vermelho. E a Fifa aceitou.
A ação de Trump é postura de autocrata com delírio de onipotência. E a Fifa age como botequim de beira de estrada. Lembra Eurico Miranda na década de 1990.
Se esse tipo de atitude é aceito numa Copa do Mundo no País mais rico do planeta, como resguardar as decisões na segunda divisão de um campeonato estadual pelos rincões do Brasil? Como evitar que o dirigente bata na mesa? E como evitar que a federação ceda?
Eu só encontro paralelo com o ocorrido em 1982. No jogo entre França e Kuwait, o xeique invadiu o campo, exigiu a anulação de um gol — e o árbitro aceitou. O episódio ocorreu na Espanha e foi visto como ação folclórica de um governante autoritário. Coisa parecida é realizada pelo ocupante da Casa Branca.
Mas, meu objetivo com esse comentário é lembrar do ocorrido no Brasil há 12 anos. A Fifa aqui podia tudo. Houve mudança até nas leis para se adequar às exigências. A entidade mandou no País durante a preparação e o torneio. Pareciam ter arrendado a nação para eles. Os dirigentes não podiam ser contrariados.
No Catar, em 2022, a Fifa também foi enquadrada. Outros lugares não têm tolerado a farra vista aqui.
Obviamente, não se deve chegar ao ponto de interferir nos aspectos esportivos, como faz Trump. Mas tampouco é aceitável a forma pela qual o Brasil se sujeitou na realização dos grandes eventos.
*Érico Firmo,
Jornalista e colunista do O POVO.
Ver comentários (1)
Em 2027 Copa do Mundo Feminina no Brasil. Vamos ter muitas novidades.