Com o título “Trump entre a inflação e a contradição”, eis a coluna “Fora das 4 Linhas”, assinada por Luiz Henrique Campos, jornalista, psicólogo e titular da coluna “Fora das 4 Linhas”, do Blogdoeliomar. “A situação expõe contradição fundamental, pois eleito com a promessa de reduzir o custo de vida, Trump enfrenta dificuldades justamente na área que deveria representar uma de suas principais credenciais políticas”, expõe o colunista
Confira:
Donald Trump voltou à Casa Branca prometendo devolver aos americanos o poder de compra, proteger os empregos nacionais e afastar os Estados Unidos de conflitos externos. Entretanto, a realidade de seu governo tem caminhado em direção oposta às expectativas criadas durante a campanha eleitoral. O aumento da inflação tornou-se um dos principais problemas da economia americana. Em setembro de 2026, os preços ao consumidor subiram 3,7% em 12 meses, enquanto a gasolina registrou alta de 34,2% no mesmo período. O encarecimento da energia pesa sobre o orçamento das famílias e reduz os ganhos obtidos com os salários.
A situação expõe contradição fundamental, pois eleito com a promessa de reduzir o custo de vida, Trump enfrenta dificuldades justamente na área que deveria representar uma de suas principais credenciais políticas. Outro fator de preocupação é a política comercial
baseada no aumento das tarifas de importação. Apresentadas como instrumento de proteção à indústria nacional, essas medidas também elevam os custos de produtos e insumos adquiridos no exterior. Parte dessa despesa acaba repassada aos consumidores, pressionando
os preços e dificultando o controle inflacionário.
No campo internacional, o discurso de evitar guerras tampouco se traduziu em política externa de menor tensão. As disputas com parceiros comerciais, os atritos diplomáticos e o envolvimento americano no conflito com o Irã ampliaram as incertezas. A escalada
militar também contribuiu para pressionar os preços da energia, demonstrando como decisões geopolíticas podem repercutir diretamente no cotidiano da população. É evidente que nem toda a inflação pode ser atribuída exclusivamente à Casa Branca. Oscilações nos
mercados internacionais, problemas de oferta e outros fatores econômicos também influenciam os preços. Ainda assim, tarifas mais elevadas e conflitos que afetam o abastecimento energético agravam dificuldades que o governo prometeu solucionar.
O fato, é que o desgaste político da administração Trump já é perceptível. Pesquisas recentes registram insatisfação com a condução da economia e com o aumento do custo de vida. Segundo levantamento do Pew Research Center divulgado em outubro, a aprovação de
Trump caiu para 30%, o menor índice de seu segundo mandato até então. Nesse cenário, as eleições legislativas de 3 de novembro ganham importância decisiva. Os republicanos terão de defender suas maiorias no Congresso em meio à insatisfação de eleitores preocupados
com os preços, a política externa e os rumos da economia. Uma derrota que entregue uma ou ambas as casas legislativas à oposição poderá dificultar a agenda presidencial e ampliar os conflitos entre Executivo e Legislativo.
O episódio revela uma recorrente da política democrática, que são as promessas eleitorais precisando resistir ao teste da realidade. Ao apostar em tarifas, confrontos diplomáticos e decisões militares de consequências econômicas relevantes, Trump se vê diante
de resultados que contradizem parte de seu próprio discurso. No fim, o eleitor americano avaliará menos a retórica da campanha do que seus efeitos concretos sobre a vida cotidiana. Se a inflação persistir e as tensões internacionais continuarem pressionando
a economia, a distância entre as promessas presidenciais e a realidade poderá cobrar preço político elevado nas urnas, mostrando que até o homem mais poderoso do planeta Terra não resiste ao ser humano comum quando é afetado na sua lida diária.
*Luiz Henrique Campos
Jornalista, psicólogo e titular da coluna “Fora das 4 Linhas”, do Blogdoeliomar.