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“Turismo 2025: Ceará na lanterna” – Por Allan Aguiar

Allan Aguiar, ex-titular da Setur do Ceará. Foto: Abav

“Somos um destino turístico cansado, fadigado e opaco aos olhos dos brasileiros”, aponta o ex-secretário estadual Allan Aguiar

Confira:

Os números da ANAC, das gestoras aeroportuárias e do Ministério do Turismo são preocupantes e um “balde de água fria” em todos aqueles que querem tapar o sol com a peneira das benesses. Números humilhantes para o turismo do estado. O primeiro deles é a monumental distância que Recife impôs a Fortaleza, chegando na casa dos quase 10 milhões de passageiros movimentados em seu aeroporto, contra os pouco mais de 6 milhões da capital cearense. Quase 4 milhões a mais é um número que grita o pedido de socorro do setor turístico, que ficou para trás no âmbito do Nordeste. Bom lembrar que, em passado não muito distante, Fortaleza rivalizava e mostrava alguma musculatura frente ao fluxo de Recife e Salvador. Simplesmente, ficamos!

Estamos consolidados na lanterna entre os estados mais populosos do Nordeste, considerando ainda que Fortaleza é a capital com mais habitantes da região. Salvador, com seus 7,2 milhões de passageiros, sendo 505 mil em voos internacionais, empurrou Fortaleza para a terceira colocação em fluxo total e para a segunda em fluxo internacional. Neste quesito, Recife marca 456 mil e Fortaleza 466 mil a bordo de aviões que vêm e vão de/para outros países. Mas esses embarques e desembarques em voos internacionais representam muito pouco do fluxo total. Em Fortaleza, 7,5%, em Salvador, 6,9% e em Recife, 4,6%, registrando que uma quantidade expressiva desses assentos está ocupada por brasileiros e não por estrangeiros. Talvez um dos principais exemplos seja o voo da GOL que liga Fortaleza a Orlando, nos EUA. Quase 100% são brasileiros indo e vindo e não americanos vindo e indo. O impacto-benefício econômico desse voo é nulo para o Ceará. Formulando melhor, são voos que remetem renda doméstica para consumo no estrangeiro.

Outro aspecto que preocupa os cearenses na análise desses agregados turísticos dos principais destinos do Nordeste é o viés. Crescendo mais ou menos que a concorrência, afinal o turista é o consumidor e, portanto, quem decide o destino turístico que vai ver o dinheiro dele. Enquanto as novas capitais-estrelas do Nordeste vêm crescendo bem acima de Fortaleza, 17,7% e 10,7% em 2025 frente a 2024, como João Pessoa e Maceió, respectivamente, contabilizamos 8,8% no mesmo período. Os dois aeroportos somados já somam quase 4,4 milhões de passageiros, revelando a concentração turística no Nordeste no eixo Recife, João Pessoa e Maceió. São perto de 15 milhões de brasileiros e estrangeiros se movimentando anualmente nos aeroportos REC, JPA e MCZ.

Resta claro como o sol que somos um destino turístico cansado. Fadigados e opacos aos olhos dos brasileiros e vivendo na periferia das preferências dos gringos(as). Nossos problemas estruturais, como a violência que afasta viajantes e o ambiente de negócios que extrai investidores, estão consumindo nosso Ceará. Abandonamos a agenda mercadológica, negocial e institucional que deveria presidir a agenda de gestão do turismo. Hoje só se cumpre a agenda política, partidária e eleitoral.

Essa visão tacanha representa hotéis demolidos, empregos destruídos e horizonte cinzento. E olha que os outros estados citados não são nenhum exemplo de gestão e eficiência a ser seguido. Imaginemos agora a enorme contribuição que o turismo poderia oferecer ao desenvolvimento humano do Ceará, caso fosse bem gerido.

Allan Aguiar é ex-secretário do Turismo do Ceará

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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